Análise da Temporada 2011-12: Treinadores

Di Matteo era auxiliar de Villas-Boas. Terminou a temporada como herói, enquanto seu antigo superior, como vilão.

Com o término da fantástica temporada 2011-12 para o Chelsea, onde fomos campeões da FA Cup e enfim da UEFA Champions League, as novidades aparecem aos poucos. Mas para não perder o ritmo, o Chelsea Brasil preparou uma série que irá ao ar às sextas com a análise de cada jogador do clube na temporada, com um post por cada posição.

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ANÁLISE DOS GOLEIROS

ANÁLISE DOS LATERAIS

ANÁLISE DOS ZAGUEIROS

ANÁLISE DOS VOLANTES

ANÁLISE DOS MEIAS

ANÁLISE DOS ATACANTES

André Villas-Boas

Apontado como treinador após a demissão de Carlo Ancelotti, André Villas-Boas chegou ao Chelsea após várias conquistas pelo Porto, ainda que fosse muito jovem. Também tornou-se o treinador mais caro da história, devido a multa rescisória paga pelos blues ao Porto. Por muito pouco.

Desde o início, AVB preocupou-se mais em tornar o Chelsea um time parecido com o Porto do que em fazer o time jogar bem em si. O esquema, 4-3-3, era uma cópia do velho esquema do Porto, mas com jogadores totalmente diferentes e fora das características deste estilo de jogo.

Com isso, a maioria do time oscilava e o treinador não fazia a mínima ideia de qual era seu time titular – sera com Luiz ou Alex, com Ivanovic ou Bosingwa, com Romeu ou Mikel, com Malouda ou Lampard, com Torres ou Drogba. Eram muitas as dúvidas e a exagerada rotação de elenco fez com a equipe ficasse sem forma.

Aliado a isso, um time mal treinado e exposto defensivamente, o que levou o Chelsea a levar muitos gols, especialmente em clássicos contra Arsenal e Manchester United, onde a zaga era tão mal treinada (jogava em linha) quanto exposta (Raul Meireles, de forma absurda, era o primeiro volante).

A paixão de AVB por José Bosingwa e Raul Meireles (fora de posição) também foi algo que irritou demais a torcida azul. Enfim, Villas-Boas, em sua passagem pelo Chelsea, passou a impressão de que poucas vezes teve alguma ideia do que estava fazendo a frente do clube.

Corpo mole não é desculpa, uma vez que os medalhões que supostamente estavam em choque com o português nem eram titulares da equipe. O português fracassou miseravelmente a frente do Chelsea e agora a frente do rival Tottenham – contratação que ajudou a diminuir a multa pagada pelo Chelsea – terá de mostrar que aprendeu, antes de tudo, que a Premier League não é o Campeonato Português.

Para aprofundar mais nos erros do português, a sugestão de leitura para estes dois posts:

Análise do sistema de marcação do Chelsea após sofrer 5 gols do Arsenal

Comparação: o que mudou de AVB para RDM

Melhor Momento

Em Novembro de 2011, o Chelsea bateu o líder até então invicto Manchester City e parecia perto de voltar a brigar pelo título, visto que teria jogos fáceis pela frente. No entanto, o time não mostrou força e ficou para trás.

Pior Momento

Com uma escalação confusa e um time perdido, o Chelsea foi abatido pelo Napoli, na Itália, por 3×1 e parecia dar adeus à Champions League. Villas-Boas foi sacado e Di Matteo recuperou o time.

Números

40 jogos
19 vitórias
11 empates
10 derrotas
47% de aproveitamento

Nota: 3,0

Roberto Di Matteo

A batata quente caiu nas mãos do ex-auxiliar de AVB, Roberto Di Matteo, ídolo do Chelsea nos anos 90 e começo dos 2000. E lentamente, Di Matteo foi até a lua, conquistando a FA Cup – entrou para a seleta galeria dos que ganharam a competição como treinador e como jogador, ambas pelo Chelsea – e o inédito, tão surreal e cobiçado título da UEFA Champions League.

Para falar dos acertos do italiano que teve meses brilhantes à frente do Chelsea, em homenagem à Didier Drogba, 11 acertos de Roberto Di Matteo:

01. O italiano logo mudou o esquema tático da equipe, apostando em um 4-2-3-1 mais bem protegido, com dois volantes a frente da zaga e wingers voltando para proteger.

02. Jogadores insuficientes na marcação como Daniel Sturridge e Florent Malouda logo perderam espaço para dar vez a outros como Kalou, que mesmo inferior tecnicamente, conseguiu correr e ajudar as fechar os espaços.

03. Ivanovic retornou a lateral direita e conseguiu passar toda a segurança que Bosingwa não conseguia, além de ser o grande herói da classificação contra o Napoli após um gol decisivo.

04. Mikel voltou a ser titular e a zaga ganhou um grande guardião. Luiz e Cahill melhoraram demais o desempenho.

05. Lampard foi re-inventado, atuando como volante, e seu velho futebol voltou a aparecer, além de um talento na marcação que veio com a experiência.

06. Ramires virou um winger, pela direita, se destacando ainda mais pelo Chelsea. Além de marcar mais gols, ele dava assistências e tinha velocidade e qualidade para voltar e tomar as bolas.

07. Mata foi centralizado e sua qualidade ao passar a bola e se movimentar passou a ser aproveitada da forma correta, ao contrário da época onde era um mero ponta esquerda com AVB.

08. Jogando dentro da área, ao contrário de quando o time era treinado por AVB, Torres voltou a marcar e ganhou confiança, sendo importante para o time na reta final.

09. Descansou Didier Drogba e Ashley Cole em jogos da Premier League, dando chances para Torres e Bertrand ganharem experiência e os veteranos, recuperados fisicamente, pudessem decidir na Champions League. Jovens e experientes se completaram no elenco dos blues nas mãos de Di Matteo, sendo que o jovem lateral até foi titular na final em Munique.

10. Segurou as subidas de David Luiz ao ataque, algo que era incentivado e acontecia de forma desinibida nos tempos de Villas-Boas.

11. Teve humildade e coragem para fazer o time se portar de tal forma defensiva contra o Barcelona e Bayern, desfalcado, e jogando fora de seus domínios. O time correspondeu com muita raça e sangue nos olhos.

Melhor Momento

O título da Champions poderia ser apontado, mas o melhor momento individual de Di Matteo foi sem dúvidas a partida de volta contra o Barcelona, em Camp Nou. Sem Cahill e com Terry expulso, ele improvisou Ramires na lateral e viu sua zaga com Ivanovic e Bosingwa, que entraram em campo com laterais. O esforço do time em manter o resultado é a prova total da filosofia do italiano sendo abraçada pelo time inteiro, além da grande união que ele conseguiu promover em um grupo dado como derrotado alguns meses antes.

Pior Momento

Contra o Newcastle, em Stamford Bridge, o Chelsea foi com força máxima para tentar buscar sua vaga na Champions League pela Premier League. Cissé acertou chutes inacreditáveis e os blues acabaram sem a vaga… por sorte, a conquista da Champions a devolveu ao Chelsea.

Números

21 jogos
13 vitórias

5 empates
3 derrotas
62% de aproveitamento 

Nota: 9,5

DESFECHO: TODAS AS NOTAS:

Petr Cech: 10,0
Roberto Di Matteo: 9,5
Didier Drogba: 9,0
Ramires: 9,0
Branislav Ivanovic: 9,0
Frank Lampard: 8,5
Juan Mata: 8,5
Ashley Cole: 8,0
John Terry: 8,0
David Luiz: 8,0
Gary Cahill: 8,0
John Obi Mikel: 8,0
Fernando Torres: 7,5
Raul Meireles: 7,0
Daniel Sturridge: 7,0
José Bosingwa: 7,0
Salomon Kalou: 7,0
Paulo Ferreira: 6,5
Ryan Bertrand: 6,5
Oriol Romeu: 6,5
Michael Essien: 6,0
Sam Huthcinson: 5,5
Ross Turnbull: 5,5
Henrique Hilário; 5,0
Romelu Lukaku: 5,0
Nicolas Anelka: 4,5
Florent Malouda; 4,0
Alex: 4,0
André Villas-Boas: 3,0

Fim da série! Foi um prazer escrevê-la e estar com vocês!  Um abraço a todos.

Category: Conteúdos Especiais

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Article by: Rodrigo Q