Um ponto para a conta, mas plantel de Sarri ficou devendo

Existe um contraponto em relação ao futebol que Maurizio Sarri propõe no Chelsea Football Club. Se pelo lado do time de Stamford Bridge, o futebol pode ser proposto por beleza, posse de bola, ofensividade e domínio das ações do jogo. E essa é a filosofia do futebol do Chelsea, orquestrado pelo técnico italiano que é, corretamente, elogiado pela proposta implementada no time londrino. Por outro lado, nos casos de futebol de posse de bola, há opção do adversário em deixar a equipe “protagonista” jogar. Esse foi o primeiro tempo do Manchester United, uma etapa inicial baseada em aguardar. Muito abaixo do que o time do United pode fazer.

Mas nenhum time consegue se defender os 90 minutos. Ouvimos essa frase no cenário atual do futebol: seja na elite mundial da modalidade ou na Copa Paulista de Futebol, torneio referente ao segundo semestre do calendário paulista. É a realidade, não há chances de utilizar somente o setor defensivo em todo o jogo – seja qual for a competição. Por isso, o mérito do adversário do Chelsea, no sábado (20/10), que foi eficaz em sua proposta de jogo. A equipe mandante conseguiu pressionar e ser incisiva em várias oportunidades, principalmente, no primeiro tempo. Porém, dois contragolpes foram necessários e pontuais para a virada do Manchester United.

Erros

Mais uma vez, o receio de Sarri se torna realidade. Ele mencionou diversas vezes que precisa de tempo para implementar a sua filosofia. Vocês lembram das falas referentes ao espaço para com o adversário, não? Para justamente não acontecer o que aconteceu hoje. O ponto negativo de ter domínio do embate em excesso é ter a necessidade de saber ocupar os espaços, quando não há a posse. Essa é a maior preocupação tática de Maurizio, um modo de reorganizar seu o plantel após dois ou três minutos de posse e ofensividade.

Além disso, o futebol de Sarri e bolas longas, buscando lateralidade, são elementos contrastantes. Não dá. Simplesmente, não dá. Ele trabalha com passes curtos e os atletas sabem disso.

Sem apontar culpados

Acontece. É o tal do futebol, nem sempre a proposta do Sarri seria efetiva. Seria injusto colocar a culpa em “fulano” ou “ciclano”, apontar um culpado neste embate. É mais justo admitir que propostas nem sempre conseguem o resultado esperado. Mas uma coisa deve ser dita, o Chelsea atacou muito mais desorganizado na segunda etapa. Neste ponto, eu concordo e acrescento que a pressão de sofrer a virada pode ter intensificado essa desorganização.

E desta forma, – desorganizada ou na raça, fique à vontade para adjetivar -, o Chelsea chegou ao empate. Com lateral cobrado na área, bate e rebate longe de referências sarrianas e com provocação ao José Mourinho, feita por um integrante da comissão técnica londrina, aos moldes de “trash talk” etc. Nem sempre a obra de arte de Maurizio Sarri seria implementada. Nem sempre dá para você fazer laranjada com as laranjas que você tem em sua plantação. Digamos que sábado foi um dia que a horta do italiano foi pouco produtiva, mas deu para sair com o lucro mínimo de sua colheita deste final de semana. Na ocasião, o “Agro do Chelsea” não foi tão pop assim.

Próximo jogo

Ou seja, vida que segue para o Chelsea. O próximo jogo da equipe londrina será contra o Bate Borisov, no dia 25 de outubro, em Stamford Bridge. Uma partida para colocar em prática os ensinamentos de Maurizio Sarri. Mas se precisar de um resultado positivo na marra… Vocês já sabem que não será a primeira vez.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

João Vitor Marcondes

Taubateano e jornalista.