Stamford Bridge também é a casa das Blues

A coluna de hoje é especial. Em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, Gabriela Bustamante é a responsável pelo único texto do Chelsea Brasil em 8 de março.

No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. A Europa é o continente que mais pune a violência de gênero no mundo, mas na Rússia, uma mulher é assassinada a cada 40 minutos – e a condenação para o feminicidio é uma mera sanção econômica. Na Bulgária, não existem leis que criminalizem a violência sexual no casamento, e na Hungria não existem punições para o crime de assédio sexual.

E o que todos esses números e dados tem a ver com o futebol? Bem, a quantos jogos de futebol feminino você já assistiu na vida? Quantas mulheres já viu apitando partidas masculinas? Quantas técnicas já conheceu? Quantas vezes já perguntou a uma mulher que diz gostar de futebol o que era impedimento ou pediu que ela escalasse um time campeão do gol até o banco de reservas para provar?

Hoje vamos falar sobre futebol como em todos os outros dias, mas vamos falar também sobre a mulher, que assim como os homens merece ser reconhecida – seja como torcedora, atleta ou profissional.

O dia 8 de março, oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975 como o Dia Internacional da Mulher, é diferente de quase todas as outras datas comemorativas criadas pelo comércio (mesmo que esse tente tirar proveito da ocasião). É um dia que marca a luta das mulheres por direitos, a batalha contra todos os tipos de violência sofrida pelo sexo feminino e, acima de tudo, um pedido de justiça.

E dentro do futebol, esse simples pedido costuma ser abafado de forma rotineira pela cultura misógina que o ronda e vê a mulher como objeto. O universo desse esporte tão adorado ao redor do mundo, na verdade, trabalha muitas vezes de forma repressora contra a mulher, como ao abafar histórias de agressão afim de manter a boa imagem de muitos atletas – algo que, sabemos bem, acontece também na Premier League.

Mas existem também situações sutis pelas quais a mulher passa todos os dias envolvendo o futebol. As Chelsea Ladies, equipe feminina mantida pelo Chelsea desde 2004, são as atuais campeãs da FA Women’s Super League Spring Serie, a ‘Premier League feminina’. Na temporada 2017/2018, as Ladies chegaram pela primeira vez às quartas de final da UEFA Women’s Champions League. E mesmo com um time promissor e grandes conquistas nos últimos anos, pouco se fala sobre elas, porque “o futebol feminino é muito chato”.

Com um elenco recheado de jogadoras de seleção, as Chelsea Ladies tem construído uma história promissora desde sua afiliação ao clube, mostrando que o futebol também pode ser jogado – e muito bem – por mulheres (Foto: Chelsea FC)

Existem também as agressões nem um pouco veladas à mulher torcedora, que não podem ir aos estádios desacompanhadas a não ser que queiram sofrer assédio (ou, como a sociedade gosta de chamar, ‘elogios’). Elas não podem opinar em questões táticas ou políticas do clube porque não entendem de futebol. As mulheres não podem ser torcedoras, então não é preciso comercializar uniformes femininos; e também não devem cantar para apoiar o time, porque isso não é ‘coisa de mulher’.

Acontece que as mulheres de hoje estão cansadas de alguém que diga o que elas podem ou não fazer. Elas não vão mais abaixar a cabeça para os homens, não vão abrir mão de seus direitos ou vontades. A mulher quer um espaço que é seu por direito, e ela vai continuar a lutar, não apenas por um dia em sua homenagem, mas por todos os outros que virão depois dele.

A mulher quer respeito, dentro e fora do futebol. As flores podem vir depois.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. A mulher que chora quando pensa naquele Barcelona 2x2 Chelsea no Camp Nou, em 2012.