Mais do que nunca, Diego tem sido um gigante em campo (Foto: Getty Images)

Opinião: É preciso destacar o momento de Diego Costa

Quando Diego Costa chegou ao Chelsea, uma áurea de dúvidas pairavam sobre o atacante. Primeiro por toda a polêmica envolvendo sua naturalização espanhola, segundo pois vinha de uma Copa do Mundo em baixa com a Fúria. Além disso tudo, restavam questionamentos sobre sua forma física, já que o atacante estava a meses lutando contra lesões musculares, que o deixaram, inclusive, impossibilitado de lutar pela taça da UEFA Champions League.

Contudo, ao chegar em Londres, Costa mostrou-se o monstro que tinha arrasado o Campeonato Espanhol. Foram sete gols nos primeiros quatro jogos vestindo a azul e o sergipano virou um ídolo instantâneo: The Guv’nor. Terminou a temporada 2014/2015 com dois títulos e 20 gols, sendo um deles inclusive na final da Copa da Liga, que os Blues levaram contra o Tottenham. O hispano-brasileiro foi decisivo no sucesso da temporada.

A seguinte começou e os primeiros meses trouxeram uma realidade inesperada. Chelsea brigando contra o rebaixamento, crises nos vestiários, José Mourinho cambaleando no cargo e, para acompanhar o mau momento do elenco, Diego Costa fora de forma e sem repetir as atuações de outros momentos. Começaram aí discussões sobre uma possível decadência física e técnica do jogador, rumores sobre possíveis transferências do atacante, sendo que muitas vezes os boatos chegavam a dar como certa a saída do atacante do Chelsea. Tudo isso fez o primeiro semestre da temporada ser desastroso para Diego, que chegou a vir a público admitir ter voltado de férias fora de fora.

Fora o caso do colete supostamente atirado em Mourinho, logo antes da demissão do treinador, que causou tamanha repercussão que parecia que seria insustentável a permanência de Diego no clube. Nos primeiros 21 jogos do atacante na temporada, para coincidir com o período Mou no comando da equipe na atual campanha, o camisa 19 foi às redes em apenas quatro oportunidades, além de dar uma assistência. Em campo, às vezes víamos um atacante aguerrido, às vezes parecia desanimado, mas a verdade é que as bolas não estavam entrando e até mesmo alguns torcedores do clube, principalmente no Brasil, começaram a questionar o atacante.

A polêmica do colete parecia que deixaria Diego em maus lençóis (Foto: Sky Sports)
A polêmica do colete parecia que deixaria Diego em maus lençóis (Foto: Sky Sports)

Contudo, após a saída de Mourinho, passamos a ver um Diego totalmente diferente em campo. Parecido com aquele da temporada passada, mas ainda assim diferente, mais maduro, se metendo menos em confusão. Percebemos um jogador motivado e mais entregue em campo, lutando por toda bola e mostrando uma disposição que sempre lhe foi características.

A chegada de Guus Hiddink (ou a saída de Mou) parece ter realmente feito bem a ele, que além de voltar a velha forma física, tem repetido grandes atuações seguidas, guiando o Chelsea a uma recuperação na temporada. E até mesmo para um time que vem melhorando seu nível de atuação, Diego continua acima da média.

Com Hiddink no comando são 12 partidas e incríveis nove gols e cinco assistências. Outro dado interessante é que até meados de dezembro Diego tinha menos de uma finalização por partida, de lá pra cá, o número subiu para mais de quatro, uma evolução incontestável. A mudança do futebol de Diego é visível e, mais do que isso, um simbolo de que a troca no comando técnico do clube realmente foi a melhor alternativa. Vários jogadores dizem que o clima nos vestiários é mais leve e podemos dizer que olhando para Costa, essa é realmente a impressão que passa.

Nos últimos meses vimos o atacante também menos envolvido em polêmicas e bate-bocas envolvendo adversários e árbitros. Diego parece mesmo focado em recuperar a temporada perdida e agora já contabiliza 13 gols e cinco assistências na temporada, ficando à sete tentos de igualar a marca das campanhas de 2014/2015, algo que, no ritmo avassalador do centroavante nos últimos dois meses, dá pra dizer que é possível que ele consiga alcançar.

E até nos bastidores se comenta os empenhos nos treinos e sua liderança no atual elenco azul, tanto que Lampard chegou a dar entrevista recentemente afirmando que espera de Costa um papel ao lado de Terry como um dos líderes do grupo. O caso da lesão no nariz também é emblemático. O atacante sofreu uma fratura nasal um dia antes do encontro com o Newcastle, em um treinamento e o departamento médico do Chelsea chegou a vetá-lo para o confronto, mas a insistência de Costa para que uma máscara de proteção fosse feita as pressas para seu rosto foi tamanha, que convenceu os médicos e Hiddink a deixá-lo jogar. E o resultado não poderia ser diferente: um gol e uma assistência para o Guv’nor.

Diego Costa nunca pode ser dado como vencido e tem provado isso nesta segunda metade de temporada. Vale repetir, são 9 gols nos últimos 12 jogos, além de quatro assistências.  Mesmo com metade de uma temporada jogada fora, Diego já é o oitavo artilheiro da Premier League com 10 gols, quatro a menos que Agüero por exemplo.

Mais do que nunca fica a certeza que Diego está no grupo dos melhores centroavantes do mundo e de que seu faro de gol permanece intacto. Diego é a melhor personificação da recuperação do Chelsea na temporada e se todo o time encarnar o espírito e a raça que o atacante tem deixado em campo, temos tudo para terminar 2015/2016 melhor do que poderíamos imaginar quando o ano virou.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Category: Opinião

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