Opinião: As (boas) oportunidades perdidas pelo Chelsea no mercado

Vidal e Otamendi foram duas boas oportunidades perdidas (Foto: soccer.com)

Vidal e Otamendi foram duas boas oportunidades perdidas (Foto: soccer.com)

O mercado de transferências do Chelsea foi fraco. Com a exceção da contratação de Pedro Rodríguez, que começa muito bem a temporada com a camisa dos Blues, o clube londrino não se reforçou adequadamente para 2015/16 e o reflexo disso é o início ruim na Premier League, atualmente na 13ª colocação.

Nesta postagem, analisaremos as boas oportunidades perdidas pelo Chelsea no mercado e como os nossos rivais se aproveitaram disso.

O clube entrou na nova temporada com a convicção de que se tinha que mudar pouco, encarnando o velho ditado: “Em equipe que ganha, não se mexe.” As circunstâncias das saídas de Didier Drogba e Petr Cech, obrigaram o Chelsea, no entanto, a ter de se reforçar com Asmir Begovic e Radamel Falcao. Se a qualidade do bósnio é indiscutível, a contratação de Falcao deixa dúvidas: não só pela sua escolha como pelas possíveis alternativas a sua posição – sejamos honestos, não haveria opções dentro do plantel e nas camadas jovens que merecessem esse lugar?

Comecemos por Loïc Rémy. O atacante francês dividiu, com Drogba, o lugar de centroavante reserva na temporada passada e demonstrou capacidade quando foi utilizado. Não mereceria o francês ser o suplente de Diego Costa? Será Falcao mesmo uma melhor opção que Rémy?

Outro centroavante que destacou na temporada 2014/15 foi Patrick Bamford. O jovem, melhor jogador do Championship (segunda divisão inglesa) da última temporada, foi novamente emprestado, mas a sua atuação pelo Middlesbrough no ano passado, faz-nos questionar se mereceria um lugar no plantel principal.

Se, ainda assim, os responsáveis do Chelsea entenderam que era necessário a contratação ou o empréstimo de um novo atacante, fica a questão: por que não alguém mais jovem e com mais possibilidade de sucesso? O nome de Alexandre Lacazzete é um bom exemplo. O jovem francês, com 27 gols em 33 jogos pelo Lyon na Ligue 1 no ano passado, seria um bom negócio e disputaria a posição com Diego Costa. Seria uma transferência mais vantajosa que Falcao, muito em função do tipo de negócio: um empréstimo em que dificilmente se acionará a opção de compra de 35M€ no final do ano, devido a idade e a propensão do jogador a lesões).

No entanto, o Chelsea decidiu apostar em Falcao, o que talvez, e dadas as alternativas acima, não fosse a melhor opção.

Mas não só no ataque o Chelsea cometeu erros no mercado. A zaga foi o local mais evidente. A insistência em John Stones fez o Chelsea perder uma série de bons jogadores que poderiam ter reforçado (e bem) o clube.

Não que Stones seja mau jogador – longe disso. O zagueiro inglês é sólido, jovem, e com boa margem de progressão. Mas os valores a que o Chelsea chegou pelo jogador são inimagináveis e demasiado elevados para o seu valor de mercado. Com a obsessão em Stones, perdeu-se Nicolás Otamendi para um rival direto, perdeu-se também a possibilidade de contratar Raphael Varane, Aymeric Laporte ou Diego Godín, todos zagueiros seguros e que sairiam mais baratos que o inglês.

A obsessão com Stones, com todo o foco para reforçar uma posição chave no elenco num só jogador, demonstra a falta de planejamento de outrora e a falta de capacidade de tentar outras alternativas, o que não contribuiu em nada ao clube. Mesmo no fim do mercado, o Chelsea (quando finalmente se apercebeu que não iria contratar Stones), virou-se desesperadamente para Marquinhos, do PSG, mas viu as suas propostas recusadas. Devido a estes erros, fomos buscar o que sobrava. E o que sobrava era Papy Djilobodji. Tudo dito.

Os negócios no setor de meio-campo também não ocorreram da melhor maneira aos Blues. O Chelsea passou todo o mercado a sondar Paul Pogba, da Juventus. Por mais de três meses, o negócio nem andou nem desandou e, claro, não se concretizou. Neste tempo, Arturo Vidal, meia que também era da Juventus, saiu para o Bayern por 35M€. Vidal, provavelmente, conseguiria dar ao meio-campo do Chelsea a intensidade e o vigor que lhe falta agora e a um preço relativamente “barato” para um jogador da sua qualidade. Bastian Sweinsteiger também saiu do Bayern para o Manchester United por “apenas” 20M€, e a sua qualidade faz-nos pensar se não teria lugar no Chelsea. Tal como com Stones, o mesmo erro foi cometido nas tentativas de reforçar o miolo do Chelsea. Nem se contratou o ambicionado Pogba, nem se reforçou o meio-campo ao todo.

Estes erros de mercado do Chelsea são mais graves quando comparados com as atuações dos rivais.

O Manchester City reforçou-se com Raheem Sterling, um winger comprado ao Liverpool por  cerca de 49 milhões de libras com imensa margem de evolução, apontado como um dos jovens ingleses mais promissores dos últimos anos. Além do atacante, chegou Otamendi, um zagueiro que, junto de Vincent Kompany, deverá compor a melhor zaga da Premier League. O City também se reforçou no meio-campo: Kevin de Bruyne (ex-Chelsea) chegou e promete fortalecer o desde já fortíssimo elenco do City, que, aliados ao regresso de Yaya Touré e ao talento de Sergio Aguero, é o grande favorito ao título da competição.

O Liverpool trouxe Christian Benteke, que já marcou com a camisa dos Reds, e James Milner, ex-Manchester City, enquanto o Arsenal comprou uma peça chave que nós deixamos sair: Petr Cech.

Em conclusão, o mercado demonstrou alguma falta de rumo, de inteligência de negócio e de planejamento que teriam ajudado e muito o Chelsea neste início irregular da temporada 2015/16. Resta esperar que o clube possa ultrapassar isso com os jogadores do ano passado e com a única grande contratação do ano: Pedro Rodríguez.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Francisco Moita