O mau planejamento e a vaidade começam a dar ‘resultado’

Assistir a Roma x Chelsea, pela Champions, na tarde/noite desta terça-feira, foi deprimente para aqueles que torcem vestindo ‘blue’. O passeio do time italiano por 3 a 0 veio sem muita força, por mais incrível que possa parecer ao se deparar com o resultado. A equipe da casa jogou muita bola, porém quando tudo já estava resolvido. Porque a construção mesmo do placar foi uma mistura de eventualidades da partida e colaboração dos visitantes.

O primeiro gol saiu com um minuto de jogo (chute mirabolante do El Shaarawy, autor também do segundo). Mas, antes disso, Pedro recuou para Alisson uma bola que estava pedindo para entrar na rede. E, quando a desvantagem já se registrava folgada, Morata conseguiu desperdiçar uma oportunidade que caiu de bandeja, numa desatenção da defesa oponente, e isolou de frente para o arqueiro de Tite.

Um ‘inocente’ num conjunto de desastres

Entre os lances destacados acima, Hazard fazia de tudo para reverter a situação, com ótimas jogadas pelos lados, principalmente o esquerdo. Todavia, ele era homem solitário no meio de um batalhão de atletas com camisa escura. Seus companheiros nada contribuíam e pareciam até se esconder. Dificilmente alguém mais, além do belga, escapa daquilo que pode ser chamado de atuação apática, pífia. Courtois, por exemplo, pode não merecer culpa nos gols, mas, olhando de forma fria, tudo que se chutava entrava, exceto depois que a zona já estava totalmente aberta.

A Roma representa, há alguns anos, a segunda ou terceira força de um futebol decadente ladeira abaixo, que é o da terra da bota, variando de acordo com a temporada. Com todo o respeito ao país tetracampeão mundial de seleções, um clube nesta condição não pode ser páreo para o detentor do título da Premier League, a liga mais competitiva por cima.

É inimaginável ver os ex-companheiros de Totti duelando com possibilidades num mata-mata com Real Madrid, Barcelona, PSG ou Bayern. O Chelsea sim. Embora tenha elenco inferior a todos estes, não chega ao plano do surreal pensar em êxito nestes tipos de encontros.

No entanto, talvez, o vencedor da última temporada da Inglaterra tenha carregado apenas o status de uma “época” para a outra. A força, em campo, foi embora. O plantel já passava longe de se apresentar como satisfatório na combinação entre quantidade e qualidade. Agora pode ser discutido se piorou ou manteve. Dizer que melhorou é um exercício bem esforçado de quem deseja manter a animação.

As mudanças foram poucas, porém fundamentais (para baixo, claro). A maior delas está no ataque. Morata iniciou muito bem a temporada no certame nacional, entretanto ainda não é um Diego Costa. Por mais que esta frase possa irar vários leitores.

Se Kanté finalizou 2016/2017 como o “cara”, aquele grupo de jogadores só tomou corpo, no início e até quase a metade, muito por causa do atacante brasileiro naturalizado espanhol.  O problema é que algo bastante mal explicado advindo dos bastidores derrubou o camisa 19, numa queda de braço com o treinador. Tudo muito obscuro (ainda).

O lado negativo do sucesso

Conte foi brilhante em sua estreia na Premier League. Era impossível fazer melhor. Mas o sucesso, às vezes, sobe pela cabeça nas mais educadas famílias, inclusive as de origem italiana. E o artilheiro saiu. “Trocado” (entre aspas, por motivos óbvios) pelo reserva do Real Madrid, que tem de bom no currículo uma passagem curta pela Juventus. O substituto possui, sim, condições de ser grande. No futuro. O presente aponta outro cenário, mais cauteloso.

Antes que os dedos nervosos cocem, este texto NÃO tem como intuito apontar um jogador específico como responsável por algum insucesso. Até porque, o elogio ao seu desempenho inicial já foi feito em linhas anteriores. Trata-se somente de um exemplo de suposta vaidade capaz de causar prejuízos. Se ficassem elas por ela, pelo menos, estaria bom. Não foi o caso. Em outras palavras, Morata não é culpado único, começou a jornada muito bem, mas não tem ‘pedigree’ e o desempenho de momento pode estar se encaminhando para a queda livre (só como exemplo, já são cinco jogos sem marcar).

‘Ajuda’ da diretoria

Para amenizar (e muito a conta do professor), a galera do andar de cima do clube nada colaborou. Tirando Rüdiger, as contratações úteis nos demais setores não vieram. Sem esquecer que o próprio falhou nesta terça. Zappacosta, “desconhecido”, foi o tiro certo no escuro. E só. Será mais um ano para aturar Pedro e seus lampejos que volta e meia amenizam a avaliação em torno do próprio. Em pensar que o Willian está pedindo passagem (falta apenas berrar para ser ouvido pelo comandante).

Luz enganosa no meio do túnel

Por fim e consolavelmente, a sorte está tão do lado azul que o Atlético de Madrid faz o possível para cair fora na fase de grupos desta vez. A classificação londrina vai acontecer e virá como uma cortina bloqueando a imagem da ilusão. O bicho pegará mesmo é na sequência deste campeonato e nos árduos pontos corridos caseiros, cujos estragos já estão sendo produzidos. Oremos, desde hoje (mesmo os ateus).

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Article by: Patrick Monteiro