O Chelsea é incapaz de aprender com os próprios erros

Quem nunca ouviu o ditado que diz “errar é humano, mas persistir no erro é burrice”? Bem, ao que parece, não existe nada equivalente ao ensinamento brasileiro na Inglaterra ou na Rússia. O magnata Roman Abramovich e boa parte dos dirigentes a quem confia o comando do Chelsea, continuam, ano após ano, a persistir nos mesmos erros de forma contundente.

Esse ciclo vicioso ficou mais claro desde a conquista da Champions League, na temporada 2011/2012. Faturamos a principal competição continental do planeta e, no ano seguinte, sequer passamos da fase de grupos. Dizer que o desempenho dos Blues naquele ano foi ruim é um pouco de exagero. Na Premier League, asseguramos a terceira posição e ainda fomos campeões da Liga Europa. Mas talvez esse tenha sido o primeiro indício de que havia algo de errado com o planejamento do clube.

Pouco depois, na temporada 2014/2015, vimos os Blues voltarem a ser campeões da Premier League. Mantendo-se entre os três primeiros colocados nos dois anos anteriores, o título não seria uma grande surpresa naquele momento. O que chama a atenção mesmo é a queda de desempenho logo na sequência dessa conquista.

Em 2015/2016, o Chelsea chegou apenas às oitavas de final da Champions League, sendo eliminado pelo PSG com duas derrotas. Na Premier League, teve o pior desempenho da Era Abramovich, ficando apenas com a 10ª colocação.

Voltamos a conquistar o campeonato inglês em 2016/2017, depois de liderar por mais de metade da competição. O time montado por Antonio Conte, que foi capaz de ‘tirar leite de pedra’ até mesmo de Victor Moses, passava a impressão de ser entrosada e capaz de brigar por algo maior. Mas a temporada seguinte começou e, o que aconteceu? Voltamos a viver os erros de um passado recente.

O Chelsea nada aprendeu com a experiência anterior. Mas os piores erros são aqueles que ficam por trás desses cenários. Esse ciclo vicioso nada mais é do que o resultado de todas as outras falhas que cometemos anteriormente sem aprendermos nada.

Continuamos a ser mimados e impacientes. Descartamos técnicos da mesma forma que trocamos de roupa. Ensinamos a nossos elencos que, se não estiverem satisfeitos com o seu comando, basta mostrarem seu descontentamento em campo e nós iremos atender sua vontade. Não é atoa que, entre 2003 e 2018, nove técnicos já passaram pelo clube – sem contar aqueles que já estiveram a frente dos Blues mais de uma vez, como Mourinho e Guus Hiddink.

Nos livramos de jogadores talentosos por não renderem o que queremos desde sua chegada. Hoje, Mohamed Salah, Kevin de Bruyne e Romelu Lukaku são provas incontestáveis dessa prática.

Todos os resultados que vemos hoje, nos altos e baixos que vivemos de uma temporada para a outra, são apenas o produto da impulsividade e impaciência que rondam o Chelsea. Permanecer nesse erro mais uma vez é apenas questão de escolha.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. A mulher que chora quando pensa naquele Barcelona 2x2 Chelsea no Camp Nou, em 2012.