Montanha-russa: cinco pontos que resumem o atual momento do Chelsea

A temporada europeia está chegando à sua reta final. Disputas por títulos começam a ser definidas, a luta por uma vaga nas competições continentais começa a se acirrar, e candidatos a queda dão seus últimos suspiros na tentativa de evitar o rebaixamento. Independente da posição que ocupam na tabela, esse é o momento em que os clubes passam a trabalhar de maneira mais intensa – alguns ainda focados no presente, e outros já torcendo por um futuro melhor.

Dar espaço a segunda opção, inclusive, parece ser o que resta ao torcedor do Chelsea. Em uma temporada que, mesmo sem a disputa da UEFA Champions League, dava sinais animadores em seu início, os momentos finais acompanham o atual estado de espírito de todos os que cercam o clube. É possível comparar a trajetória que nos trouxe até aqui com uma montanha-russa na qual já passamos pela maior subida e dificilmente voltaremos a ela.

Nessa variável entre celebração e um misto de tristeza e indignação, listamos aqui cinco momentos que, até então, resumem o que é o Chelsea 2018/2019.

  • Liderança a vista

O início da atual temporada parece uma memória distante em relação a sexta colocação que os Blues ocupam agora. Para aqueles que pouco se lembram das primeiras partidas validas pela Premier League, vamos voltar à 12ª semana desta edição.

Naquela oportunidade, o Chelsea era o terceiro colocado na tabela, atrás do líder Liverpool por apenas 4 pontos; e também com dois a menos que o vice Manchester City, que somava 30. Os Blues ainda não haviam sofrido nenhuma derrota, tendo inclusive vencido oito jogos, um deles contra o Arsenal, por 3 a 2.

As primeiras rodadas dos Blues na temporada forma promissoras, com resultados comparáveis aos dos atuais líder e vice-líder da Premier League (Foto: Getty Images)

O Chelsea também já havia enfrentado Liverpool e United em rodadas anteriores, acumulando dois empates, um por 1 a 1 e outro por 2 a 2, respectivamente. A primeira derrota veio apenas na rodada de número 13, contra o Tottenham. Fora de casa, os Blues acabaram derrotados por 2 a 0 e invertendo posições com o rival, que ocupava a quarta posição até então.

A quebra da invencibilidade não chegou a abalar os comandados de Maurizio Sarri, que apesar de não conseguirem retomar o ritmo de vitórias, ainda acumulavam mais pontos do que perdiam.

  • De repente, queda

Os problemas do lado azul de Londres começaram após a virada de ano. No primeiro jogo de 2019, o Chelsea recebeu em Stamford Bridge o Southampton, que até então ocupava a 18ª posição. A partida acabou com um empate em 0 a 0, que não chegava a ser um grande problema – mas acabou sendo um marco fundamental na história do Chelsea nessa temporada.

Na rodada seguinte, 10 dias depois, o Chelsea bateu o Newcastle dentro de casa com um futebol um pouco menos vistoso que nas primeiras partidas; e, na sequência, vieram os grandes deslizes. O mais marcante deles é a derrota para o Bournemouth por 4 a 0, na sequência da derrota para o Arsenal em 19 de janeiro.

A derrota para o Bournemouth marca um dos piores momentos da equipe de Maurizio Sarri, com uma atuação completamente apática e sem esboço de reação (Foto: Getty Images)

O placar inexplicável veio acompanhado de uma das piores atuações do time sob o comando de Sarri, com gritantes falhas defensivas. A imprensa inglesa não perdoou a derrota vexatória – com razão -, o que inflamou os ânimos e a tensão nos bastidores do clube.

A rodada 25 foi marcada por uma tentativa de redenção com boa atuação, mas diante de um adversário que não convenceu. Contra o Huddersfield, os azuis de Londres emplacaram uma vitória por 5 a 0; logo apagada da memória da torcida por mais um grande fiasco em um jogo importante. Contra o Manchester City, o Chelsea sumiu completamente em campo, sendo sacudido em um 6 a 0 que poderia ter sido ainda pior.

Com as vitórias magras e derrotas gritantes, uma possível crise no comando técnico do clube se tornou um prato cheio para os tabloides, que encontraram ainda mais razões para acreditar nessa possibilidade.

  • Ano novo, hábitos velhos

A cultura de derrubar técnicos é um traço inegável do Chelsea; e parece que fará uma nova vítima em pouco tempo. A título de curiosidade, os Blues trocaram de comando um total de 11 vezes desde 2009 – sendo três só naquele ano. A troca frequente de treinadores não é algo muito comum dentro do bloco de gigantes ingleses, o ‘Big Six’; vide o tempo que Alex Ferguson, Arsène Wenger, e Mauricio Pochettino e Josep Guardiola em menor escala. Enquanto isso, a equipe londrina não costuma chegar a três temporadas sob o mesmo comando.

A atitude de Kepa na final da Copa da Liga não poderia acontecer em pior momento, expondo ainda mais os problemas internos que assombram o clube (Foto: Getty Images)

Um dos grandes gatilhos desse hábito é, sem dúvidas, o fato de ser algo tão corriqueiro. Essa repetição exaustiva passou a transmitir para jogadores até mesmo recém-chegados a ideia de que, se algo no comando técnico não os agrada, eles serão o ‘lado mais forte da corda’.

Kepa Arrizabalaga talvez seja a maior prova de como esses levantes não acontecem de forma natural. Com a imprensa já pressionando a permanência de Sarri no Chelsea e a situação delicada do time na temporada, o goleiro se recusou a ser substituído na final da Copa da Liga, contra o Manchester City, de maneira enfática.

Mesmo as explicações pós-jogo, na tentativa de colocar panos quentes na história, não convenceram sobre a ingenuidade de sua atitude. Não à toa, o jogador foi multado pelo clube em uma semana de salários e substituído por Willy Caballero no jogo contra Tottenham, na última terça. A atitude do jovem só escancarou algo que vinha sendo especulado em relação ao domínio do treinador sobre o elenco.

  • Fechado para contratações: punição da FIFA

Sem ter sequer a certeza de que continua no cargo até o final do campeonato, a permanência no Chelsea pode causar ainda mais dores de cabeça a Sarri, já que os clube cumpre punição até o fim da temporada 2020 (Foto: Getty Images)

Como diz o ditado, tudo que é ruim pode piorar, e nesta temporada o Chelsea fez valer o dito. Como se todos os problemas relacionados a campo e vestiário já não fossem suficientes para os Blues, o clube ainda recebeu uma dura punição da FIFA em relação a contratação de jogadores.

Por firmar contratos com jogadores menores de 18 anos de maneira considerada irregular pela entidade, a equipe londrina está proibida de realizar a contratação de novos atletas pelas próximas duas janelas de transferências. Além disso, foi aplicada também uma multa no valor de 460 mil libras esterlinas ao clube, que terá 90 dias para regularizar a situação de todos os envolvidos.

Sem a possibilidade de contratar, o Chelsea pode se valer de uma brecha utilizada pela Real Madrid quando recebeu a mesma punição, fazendo acordos antes do início da próxima janela. Ainda assim, a punição dificulta a busca por reforços para posições essenciais, e também intensifica as possíveis perdas de peças-chave da equipe.

  •  Possíveis perdas

Como se todos os obstáculos pelos quais passa o Chelsea ainda fossem pouco, o clube ainda terá de se preocupar com a perda de peças fundamentais – em especial, Eden Hazard (Foto: Getty Images)

Já há algumas janelas, o fantasma do Real Madrid vem assombrando os arredores de Stamford Bridge. Eden Hazard, que é hoje o principal jogador do Chelsea, por muitas vezes foi especulado no clube espanhol sem evidências concretas ao público, mas dessa vez a chance da concretização do negócio é grande.

Com o Chelsea enfraquecido pela punição da última semana e em um atual estado de crise, a possibilidade de brigar por grandes títulos deve encher os olhos do meia belga – e também os bolsos do clube inglês. O camisa 10 não tem um substituto a altura hoje, e provavelmente continuará sem um caso parta para o clube merengue definitivamente.

Assim como ele, o brasileiro Willian também é especulado na Espanha, mas para o lado oposto. Na última janela, jornais ingleses confirmaram uma proposta do Barcelona pelo atacante, que não foi aceita pelo clube.

Sem uma vaga para a próxima UEFA Champions League pelo menos, as chances de grandes perdas para o Chelsea aumentam; ou seja, para ter potencial competitivo para o próximo ano e poder sonhar com algo melhor, não é permitido errar mais.

Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. A mulher que chora quando pensa naquele Barcelona 2x2 Chelsea no Camp Nou, em 2012.