Michy Batshuayi surpreendeu Conte, mas não tem futuro garantido no Chelsea

Após a vitória contra o Brighton no Boxing Day (26), Antonio Conte comentou sobre Batshuayi, o único atacante disponível no elenco além de Alvaro Morata, e que não vem ganhando muito espaço. Apesar de já ter jogado mais minutos esse ano do que na temporada passada inteira, é bem claro que ele não tem (ou tinha?) a confiança do italiano.

Só para ilustrar: na partida contra o Huddersfield, Morata saiu aos 18 minutos e Hazard foi escolhido para entrar como centro-avante. Em outras palavras, Conte preferiu colocar um jogador fora de sua posição do que escolher o Batshuayi (que custou 33 milhões de libras, vale lembrar). E isso se repetiu contra o Southampton.

Conte já falou em várias oportunidades que Michy ainda precisava de treino e tempo para se adaptar. Mas, contrastando com o que vemos nas escalações, Conte diz que está bastante surpreso com a evolução do atleta.

“Michy está melhorando muito, principalmente numa questão técnica. Ele está trabalhando muito bem e entendendo o que quero para ele. Estou muito feliz. Hoje ele não marcou, mas jogou muito bem. Agora ele está pronto para começar e aparecer nos jogos e ter um bom impacto. É importante eu saber que posso contar com ele.”

Podemos estar num período de transição. Conte deu a entender que Batshuayi evoluiu e chegou no nível que ele esperava, esse pode ser o momento dele entrar mais em campo e finalmente podermos perceber essa comentada evolução. Espera-se, no mínimo, que Batshuayi esteja melhor no posicionamento e consiga ser decisivo como centroavante. A partida contra o Everton deixa explícito como o Chelsea fica sem um bom jogador de referência para chutar no gol, e o próximo semestre será corrido demais para ficarmos dependendo de Morata – essa é uma tecla que eu não canso de bater por aqui.

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A dificuldade de Batshuayi em se adaptar na temporada passada pode ter desencadeado a falta de confiança no seu futebol (foto: REUTERS)

O problema é: assim como não dá depender de um jogador, terão muitas partidas que não vai dá pra arriscar na escalação, e essa confiança de Conte deve ter um limite. Em janeiro rolam as semifinais da Copa da Liga Inglesa, que até o momento é o troféu mais acessível ao Chelsea. Fevereiro tem a sequência de jogos Barcelona, Manchester United, Manchester City, Barcelona. Não imagino Conte começando com Michy em nenhuma das ocasiões.

Outra coisa que se espera para janeiro é a contratação de um centroavante de peso, porque esses momentos em que Batshuayi não é uma opção levam em conta que teremos Morata, mas ele também se machuca, e também precisa ser poupado para descanso. Mas como atualmente Batshuayi já é uma terceira opção – atrás de Morata e Hazard –  se tivermos alguém novo, é capaz dele não ganhar o espaço que procura. E aí entra a questão, será que vale a pena mantê-lo?

Muitas variáveis rondam essa pergunta. O jogador pode cansar de não ser titular e querer ir para outro time em que possa ter destaque – esse foi o motivo de Morata ter vindo, aliás. O Chelsea pode decidir que não vale a pena manter um jogador que nem sempre vai ser usado. Mas se uma das partes buscar por uma venda, o preço pode ser uma grande barreira. Chelsea não vai querer perder dinheiro num investimento significativo, e dado o histórico do time, provavelmente ele seria mais um a ser emprestado para se desenvolver no futebol.

Por fim, Conte não será o técnico dos Blues para sempre, e há rumores de que ele não ficará nem próxima temporada. Outro treinador pode enxergar as qualidades de Batshuayi de outra forma, e apresentar um esquema tático que funciona com ele.

As palavras neste texto condizem com a opinião da autora, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

Asnate Souza

Estudante de Relações Internacionais na USP, e atleta universitária de futsal e futebol americano. Na horas livres, estou assistindo jogos.