Fim de uma era: o legado deixado por Antonio Conte

Esse texto é indicado para torcedores que vibraram com a demissão de Antonio Conte do cargo de técnico do Chelsea. Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.

O que era previsto no fim da temporada passada aconteceu. A diretoria dos Blues chegou a um acordo e demitiu o treinador italiano do comando da equipe. Em seu lugar, outro italiano. Maurizio Sarri deve ser o novo treinador.

Nesse espaço, você, que não é fã de Antonio Conte, poderá rever seus conceitos e pelo menos dizer obrigado por tudo. Como dito no primeiro parágrafo, se mesmo assim você estiver feliz com a saída do italiano, é porque seu santo não bate com o dele.

A chegada

Depois de uma temporada desastrosa, na qual a direção demitiu José Mourinho antes mesmo no fim do primeiro turno da Premier League, chegava ao clube Antonio Conte. Tímido, humilde e sem conhecer muito o elenco, o italiano pouco ousou em seus primeiros jogos. Naquele momento, nós víamos jogadores ainda perdidos dentro de campo e um treinador querendo se soltar à beira do gramado.

O primeiro legado

No entanto, no fatídico dia 24 de setembro de 2016, tudo mudou. A derrota por 3 a 0 contra o Arsenal provocou uma revolução no esquema tático do Chelsea. Ela levou o italiano a adotar a formação que mais lhe dava segurança, com três zagueiros.

A partir daí, entra o primeiro legado de Conte para o clube: a vinda de César Azpilicueta para a zaga. Com apenas 1,78m de altura, talvez nem mesmo o treinador adivinharia que Azpi daria tão certo ali. Até então, Azpilicueta já tinha jogado de lateral direito, lateral esquerdo, volante e até meia pelo lado direito. Mas nenhuma das posições fez o espanhol brilhar tanto como na zaga.

Sua pequena estatura era (e ainda é) recompensada com um enorme senso de posicionamento. Sem falar numa impulsão de dar inveja a qualquer projétil de Cristiano Ronaldo. Junto a David Luiz e Gary Cahill, ele foi fundamental para fazer da defesa um muro que muitas vezes José Mourinho não conseguiu montar.

Conte e um de seus principais legados a frente do Chelsea

Suas atuações como zagueiro lhe renderam uma convocação à seleção espanhola, amargando um injusto banco de reservas na Copa do Mundo da Rússia. Com a possível chegada de Maurizio Sarri ao comando dos Blues, e a provável troca para um modelo com dois zagueiros, como tirar Azpilicueta da zaga e repassá-lo para a lateral?

Os resgates

Logo quando chegou, ele fez questão de repatriar o brasileiro David Luiz. Na ocasião, diversas publicações afirmaram que Conte conseguiu convencer o zagueiro, então titular do PSG, dizendo que, nos Blues, David voltaria a ser considerado um atleta de nível mundial. E foi isso o que aconteceu. As boas aparições dentro de campo renderam até convocação a seleção brasileira.

Outros resgates feitos por Conte como técnico do Chelsea são as apostas no futebol do esforçado nigeriano Victor Moses e do fundamental (para a temporada 2016-17) Pedro Rodríguez. Se não fosse o dedo do italiano, ficaríamos, no máximo, na zona de classificação para uma liga europeia. Já naquela temporada, a dupla de Manchester tinha mais elenco que a gente. Isso é inegável.

A paixão

Confesso que desde o título da Liga Europa, comecei a deixar o Chelsea em segundo plano. O sonho de ver o clube campeão da Liga dos Campeões já tinha se realizado. Algumas decisões quanto a contratações (de técnicos e jogadores) não me empolgavam para ficar grudado em frente à televisão. Meus pais e minha esposa até achavam estranho eu não reclamar por sair de casa em dia de jogo dos Blues.

Pois é, mas graças a este sujeito, isso felizmente mudou.

Se, na Juventus e na seleção italiana, eu já o via com uma certa simpatia; com o boné azul sobre a cabeça, eu surtei. As cenas de Conte orientando os jogadores, indo abraçá-los após o fim de uma partida ou indo aos braços da torcida após um gol ficarão na minha mente por longos e longos anos.

Futebol é paixão, vibração, amor… Conte trouxe tudo isso e mais um pouco para boa parte dos torcedores do Chelsea. Nesse texto de 2015 escrito por Luiza Sá, a repórter, assim como este que agora escreve também demonstrava seu amor pelo italiano.

A temporada 2016-17 foi vista por estes olhos como poucas. Parafraseando nosso eterno Richard Attenborough, que na primeira passagem de José Mourinho disse que o português trouxe magia ao clube, eu digo o mesmo para esses dois anos de Antonio Conte.

Muito obrigado Antonio Conte, pelos dois lindos anos em que você esteve como um louco no comando do Chelsea. Que você seja feliz cometendo as mesmas loucuras em outras terras por aí.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Willian Guerra