Duas vitórias de Sarribol, mas ainda há trabalho para ser feito

Em tese, o Chelsea terá um desafio dificílimo diante do Newcastle. Jogo previsto para o domingo, no belíssimo St. James’ Park, será mais um teste para o time comandado por Maurizio Sarri. Pelas veiculações da mídia inglesa sobre o novo treinador, a comissão técnica e diretoria estão em sintonia sobre o modelo de atuação. Isso se deve pela proposta de jogo (quase) endêmica de Sarri, que enche os olhos de Roman Abramovich e todos os (todas as) cartolas londrinos(as).

Aparentemente, o desejo de um futebol vistoso e ofensivo se torna realidade com um novo italiano no comando do Chelsea. “Quero me divertir, quero aproveitar e ter a bola. Então, se eu aproveitar o jogo, talvez os torcedores gostem na partida. Acredito que se o time aproveitar o jogo, eles vão ter várias oportunidades para vencer o jogo”, disse Sarri. E disse muito, afinal de contas, essas são as palavras que Roman jamais ouviria de Conte. Alguns atletas, que poderiam se desligar do clube, também não ouviriam tal liberdade de atuação do antigo treinador. Mas Sarri propicia isso e o plantel aparentemente gosta dessa proposta. Assim como o russo adora ver o Chelsea com posse, ofensividade e pressão ao adversário.

Por que?

Não é uma proposta fácil e acredito ter falado isso nesta coluna em diversas oportunidades. “Mas João… a equipe venceu os dois primeiros jogos. Como não é fácil? Está dando certo”. Acredite. É uma experiência dolorosa e complicada para os atletas que estavam acostumados a um modelo de jogo contrastante com o atual. Em um momento você marca a bola, mas anteriormente você marcava o jogador. Antes era “homem a homem”, e agora façamos marcação de zonas/espaços do campo. Isso quando você não é surpreendido com subidas do Kanté. Quem assistiu ao jogo contra o Arsenal observou subidas do onipresente francês. Algo difícil de imaginar em um passado nem tão longínquo. Situações dispares.

O porquê

Você ser capaz de pressionar o adversário por 90 minutos requer uma obediência tática e um senso de coletivo, por parte os atletas, que em poucos times do mundo podem ser visualizados. A equipe apresentou um futebol incisivo contra o Arsenal, ao mesmo tempo que o rival londrino obteve diversas chances de gol. E foram chances visíveis, chances latentes de alterar o placar. O que deu errado neste caso? Perder as linhas de marcação e não recompor as distâncias que permitem um posicionamento de pressão ao adversário.

O que significa isso? Bom, significa que a equipe está em processo de adaptação a uma ideia que, 40/50 dias atrás, era inconcebível por causa do conhecimento empírico do grupo: A falta do saber-fazer tático. Em outras palavras, adaptar-se a uma proposta novíssima dentro do plantel do Chelsea. O que Sarri propõe hoje e que deu certo nos últimos jogos – em relação ao resultado -, é um cenário de pressão contínua ao rival.

“Hazard” do Newcastle

Há grandes possibilidades de vermos Hazard incluído de titular nesse sistema de tentativa de pressão nos 90 minutos. Lembrando que o belga se adaptou muito bem ao proposto em parceria com Kovacic, na segunda etapa do duelo contra o Arsenal.  Pessoalmente, acredito que não é um problema para os atletas do meio para frente em se adaptar ao que é ensinado por Sarri. Portanto, o verdadeiro problema é o aprendizado do meio até o setor defensivo. Especialmente, os zagueiros para uma mudança drástica de postura e de ensinamento. Ou seja, requer tempo e preparação aos futebolistas.

A minha última coluna: leia aqui

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

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João Vitor Marcondes

Taubateano e jornalista.