AC Milan's Italian defender Alessio Romagnoli reacts during the triangular soccer match for the 2015 Trofeo Tim (Tim Trophy) between US Sassuolo, Inter FC and AC Milan at Mapei Stadium in Reggio Emilia, Italy, 12 August 2015.
ANSA/ELISABETTA BARACCHI

Um sofrimento que poderia ter sido atenuado

Desde a parte final da última temporada inglesa, já se sabia que o Chelsea seria treinado por Antonio Conte. Diante disso, imediatamente se passou a especular a contratação de jogadores para o criticado setor defensivo do clube londrino. Pois bem, a temporada 2016-2017 já se iniciou e nenhum zagueiro desembarcou em Stamford Bridge. O clube até não tem se omitido na busca por um novo beque, mas, como na campanha anterior, em que protagonizou novela envolvendo John Stones, vem sofrendo diante de um mercado maluco.

O Milan anunciou na manhã da última quinta-feira (25), em seu Twitter Oficial, a rejeição de uma oferta do Chelsea pelos serviços de Alessio Romagnoli, zagueiro canhoto de 21 anos. A imprensa européia especula que os valores envolvidos em tal tentativa chegaram aos €40 milhões – isso tudo por um jogador que, embora promissor, ainda precisa se provar mais no cenário internacional, não tendo disputado uma partida sequer de qualquer competição continental e, nem, tampouco, estreado por sua seleção principal.

Eventual aposta no futebol da promessa italiana seria um negócio compreensível, longe de ser criticável, mas é indiscutível o fato de que a negociação alcançou um valor exorbitante e passível de ser contestado. No ano passado, o Everton relutou em ceder Stones por, segundo especulações, £32 milhões, valor semelhante ao que vem sendo intentado na negociação por Romagnoli e valendo dizer, ainda, que o beque inglês possuía a seu favor o conhecimento das demandas da Premier League, bem como tinha, ainda que pequena, passagem pela Seleção Inglesa.

Diante desse quadro é difícil acusar os Blues de não avançarem no mercado de transferências e tentar solucionar um de seus maiores problemas. Não obstante, o clube poderia ter atenuado as consequências decorrentes dessa dificuldade. É sabido que há defensores com qualidade emprestados pela equipe. Está ficando repetitivo ressaltar isso.

Clube poderia ter tentado romper o empréstimo de Christensen antecipadamente (Foto: dpa Picture-Alliance)
Clube poderia ter tentado romper o empréstimo de Christensen antecipadamente (Foto: dpa Picture-Alliance)

Andreas Christensen foi um dos jogadores que mais se destacou na última temporada do Borussia Mönchengladbach, clube que conquistou vaga na fase de play-off da UEFA Champions League; Tomás Kalas integrou o elenco do Middlesbrough que conseguiu conduzir o Boro à Premier League, após anos na Championship; e Nathan Aké (este opção para zaga, lateral esquerda e para a posição de volante) foi um dos melhores jogadores de um Watford que fez campanha regular, somando apenas cinco pontos a menos que o Chelsea.

Todos os nomes citados já mostraram qualidades para integrar o elenco dos Blues. É claro, não seriam soluções, mas atenuariam o sofrimento do Chelsea no mercado de transferências, podendo a longo prazo dar frutos ao clube londrino. Não deixa de ser evidente que a contratação de um jovem destaque de outra agremiação para a zaga poderia também ter esse efeito, mas a que custo?

€40 milhões em jogadores como Romagnoli, Stones ou Shkodran Mustafi (especulado no rival Arsenal por essas cifras) é uma coisa. Gastá-los (ou até um pouco mais) em figuras consolidadas como Mats Hummels, Jéróme Boateng ou Leonardo Bonucci é outra muito diferente. O Chelsea precisa de zagueiros confiáveis. Todavia, sofre com a inflação do mercado de transferências, dor essa que poderia não ser tão aguda caso alguns garotos recebessem oportunidades.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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