Um minuto de silêncio no Chelsea (Foto: Reprodução)

Será impossível pensar apenas em futebol

É impossível nesse momento falar de qualquer coisa que não seja o acidente terrível que chocou a todos nessa semana. É difícil pensar em futebol, assistir, escrever. O que aconteceu com a Chapecoense poderia ser com o Chelsea, como foi com outros clubes no passado. Poderia ser com alguém que você conhece ou você se, como eu, seguir uma profissão que te envolve ao esporte. E, por isso, a coluna de hoje não falará exatamente sobre os azuis de Londres.

O que se mostrou desde que as primeiras informações saíram foi um resquício de humanidade, algo que 2016 mostrou que estava praticamente perdido. Não só isso, solidariedade, amor, respeito. Daquele um minuto de silêncio que o Chelsea e outros clubes fizeram até a belíssima homenagem prestada pelo enorme Atlético Nacional na noite da última quarta-feira.

Isso mostra que o futebol é mais do que apenas valores, cifras e dinheiro. Mais do que apenas jogadores, técnicos, brigas de ego. Futebol é torcida, é uma paixão que escreve as mais belas linhas de inúmeras histórias. Que faz metáforas com a vida, dá exemplo e é a personificação de perseverança.

Futebol que já nos deu momentos memoráveis como a Liga dos Campeões de 2012, quando os Blues insistiram até o final e tiveram não sua qualidade técnica, mas a raça compensada com aquele roteiro que nem o mais brilhante dos autores poderia pensar. O mesmo futebol que também já nos mostrou que não pode ser maravilhoso sempre, nas eliminações traumáticas, nas derrotas em finais e naquele jogo que valia muito e você acabou sem nada.

Futebol que nos escancarou agora que nada disso se compara a dor de ver um objetivo ser destroçado quando, sem querer, tirou a vida de 71 pessoas que buscavam apenas o sonho. O sonho de levantar a taça, o sonho de contar a história de um jogo histórico, o sonho de estar em um avião seguindo a profissão que você ama.

No próximo sábado o Chelsea encara o Manchester City pela Premier League, mas o foco estará nas homenagens. Nos brasileiros, que sentiram conosco a dor do fim dessa epopeia. Naquele minuto de silêncio que arrepia qualquer um que goste ou não de ver a bola rolando. O foco estará no velório das 71 pessoas que nos deixaram. Hoje, somos todos Chape.

As palavras no texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Category: Colunistas

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