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O que a história faz nem a rivalidade desfaz; mas a vida segue para todos

Mou é a história construída. Conte, o presente moldando o futuro. (Vamos por parte) A fase vivida hoje, a forma com que saiu dos Blues, o estilo de jogo escolhido em algumas ocasiões, a opção por defender um grande inimigo, a colocação atual entre os melhores do mundo, o modo de tratar atletas e outros funcionários, o egocentrismo exacerbado… Tudo isso pode ser questionado, quando o tema é “José Mourinho”. Mas existe uma causa que não há advogado capaz de defender aqueles que são contrários ao treinador português: a importância dele para o fortalecimento do único clube da capital inglesa a ser campeão europeu.

Tudo bem. Não foi Mourinho quem venceu a taça “orelhuda” no comando dos azuis (missão esta executada por Roberto Di Matteo em 2012). Porém, o “portuga” deixou o terreno muito bem preparado para o Leão receber sua pedra mais valiosa. Uma chegada em semifinal (UCL) aqui, outra ali…  Enquanto isso, dois títulos da Premier League, um da FA Cup, dois da Copa da Liga, um da Supercopa da Inglaterra… Até a coroação do clube por outras mãos, anos mais tarde, e o breve retorno que durou duas temporadas (uma excepcional, com troféus da Liga e da Copa, e uma catastrófica).

Neste domingo, Mou voltou a pisar em Stamford Bridge, mas no banco de reservas dos visitantes. Foi apenas a segunda vez que isso aconteceu em sua carreira – a primeira dirigindo uma equipe local, já que em 2010, pela Champions League, estava na Internazionale (ITA).

Terry abraça Mourinho antes do apito inicial em Stamford Bridge
Terry abraça Mourinho, antes do apito inicial em Stamford Bridge. Blues golearam (Foto: Divulgação)

Fora do campo, antes de a bola rolar, o reencontro foi da maneira correta. O reconhecimento estava estampado nos rostos do torcedor blue. Sobravam celulares erguidos em direção ao “Special One”, e os seus ex-comandados faziam as honras da casa ao “convidado” em cada cumprimento. Dentro, depois, o desempenho veio impecável.

Pedro, Cahill, Hazard e Kanté colocaram as bolas nas redes. Os outros 10 que estiveram no gramado (lembrando que três entraram no decorrer do jogo) contribuíram ou para o quarteto marcar ou para evitar um golpe do oponente.

Uma vitória tão arrasadora que virou goleada: 4 a 0. Aí, com o placar já definido, vieram os cânticos em nome do antigo treinador, que misturavam carinho e deboche. Coisas normais do futebol. Tão normal quanto a compreensão de que o tempo exige mudanças e desapegos.

Mourinho já foi. Conte está aqui. Se o primeiro retornar algum dia, será muito bem-vindo. O segundo é o presente moldando o futuro. Pentacampeão com a Juventus, o italiano – após levar duas surras em clássicos – cresceu rápido na terra da Rainha e, agora, celebra seu primeiro triunfo diante de um rival e concorrente.

Se o começo de temporada transmitia incertezas com tropeços e uma posição modesta na tabela, o momento atual é de progressão. Apenas um ponto separa o Chelsea da liderança do campeonato nacional, embora exista uma distância de três posições até o objetivo maior.

Após o último apito do árbitro, a fome pela vitória subiu a cabeça de Mourinho, que reclamou de uma possível humilhação desnecessária imposta pelo Chelsea ao seu United. Poderia ter se segurado nessa hora, não vou negar. Mas vai passar. Assim como está passando os prejuízos causados com a ausência na Liga dos Campeões 2016/17, em partes, provocadas por ele próprio. O Chelsea está forte, com um comandante seguro e capaz. Que Mou seja feliz e os Blues campeões!

As palavras no texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Category: Colunistas

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