Onde está Falcao?

Muitos milhões e pouco retorno técnico: contratações sem sentido marcam temporada pífia

Do título incontestável da Premier League 2014/15 ao trágico 14º lugar na atual temporada. Não foi apenas a colocação, no entanto, que mudou, e o Chelsea virou uma enorme bagunça: Guus Hiddink assumiu o cargo; Matic desaprendeu a jogar bola; a dupla Fàbregas e Diego Costa não apresenta o mesmo entrosamento de antigamente. Ainda assim, o que não vem mudando nos Blues nos últimos anos, infelizmente, é a incrível falta de planejamento e as negociações, no mínimo, inexplicáveis.

Então, vamos falar de números:

– Pedro (ex-Barcelona): €27.000.000;

– Baba Rahman (ex-Augsburg): €20.000.000;

Begovic (ex-Stoke City): €12.000.000;

Falcao García (ex-Monaco): €8.300.000;

Essas foram as principais contratações do Chelsea para a temporada 2015/16, que resultam no absurdo valor de €67.300.000. Passadas 22 rodadas da Barclays Premier League, a fase de grupos da Uefa Champions League encerrada e as Copas em andamento, o retorno técnico destes atletas são insatisfatórios.

O espanhol Pedro chegou com status de craque, embora nunca tenha se destacado no time espanhol. Nas palavras de Wladimir de Castro, em sua coluna: “Pedro era um jogador mediano em um clube excepcional e por isso destacava-se”. Seus números com a camisa do Chelsea não poderiam ser diferentes: 15 jogos como titular na Premier League e três vindo do banco. Dois gols e duas assistências. Muito pouco para a contratação mais cara do Chelsea nesta temporada.

Dando continuidade aos negócios inexplicáveis, o que será preciso para tirar o lateral-direito Azpilicueta do lado esquerdo? Primeiro, o clube tentou Filipe Luís, que chegou por €20.000.000. Aparentemente, o brasileiro veio para Londres para fazer turismo e voltou rapidinho para a Espanha. Nessa brincadeira, foi vendido ao Atlético de Madrid por €16.000.000 e um prejuízo de €4.000.000.

Não o bastante, o clube foi atrás de Baba Rahman, então no Augsburg, da Alemanha. Seguimos a tradição de gastar €20.000.000 em laterais que não serão utilizados com frequência, pois o ganês jogou apenas nove vezes envolvendo todas as competições, dando apenas uma assistência. O jogador já demonstrou insatisfação com o tempo no banco de reservas.

O único negócio necessário e bem pensado do Chelsea talvez tenha sido a contratação do bom goleiro Begovic, que substituiu Courtois no começo da temporada. Chegou do Stoke City por €12.000.000, basicamente a mesma quantia pela venda de Cech ao nosso rival Arsenal. Ainda dói.

A contratação mais bizarra, entretanto, fica por conta do colombiano Falcao García. Desde que se lesionou, Falcao nunca retomou o bom futebol que apresentou no Atlético de Madrid. Passagens discretas por Monaco, da França, e no United. Mas parece que os Blues gostam de brincar de Career Mode e pegaram o centroavante por empréstimo (ufa!) por €8.300.000. Resultado: lesões e um gol em nove jogos pela Premier League.

Ainda existem as contratações fantasmas que o clube, sabe-se lá por quê, realizou: os defensores Michael Hector (€5.400.000), que foi mal chegou e já foi repassado ao Reading, e Pappy Djilobodji, que, segundo a imprensa inglesa, chegou por €2.700.000. No final das contas, dois jogadores que sequer entraram em campo e somam €8.100.000.

O episódio Eva Carneiro/José Mourinho e a crise técnica não podem ser os únicos motivos para a pífia temporada dos Blues. As contratações sem explicação, motivadas apenas pelo desespero, sem pesquisa e planejamento faz com que o Chelsea tenha muitos milhões desperdiçados e retorno mínimo dentro das quatro linhas.

Obs: Juan Cuadrado chegou por €33.400.000. Assim como Filipe Luís, fez turismo em Londres e foi para a Itália jogar na Juventus, que pagou €1.800.000 por empréstimo. Prejuízo de €31.600.000.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Category: Colunistas

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