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Guus Hiddink e a retomada da liberdade de expressão azul

Vários foram os argumentos usados para acusar a má forma do Chelsea sob o comando de José Mourinho. Dentre eles, foi alegado que o time londrino era muito estático e taticamente rígido, o que prejudicava sobremaneira a desconstrução das retaguardas adversárias e, consequentemente, deixava o time mais longe do gol dos rivais. Chegou Guus Hiddink e uma de suas primeiras medidas foi revitalizar a carreira de John Obi Mikel, fortalecendo a espinha dorsal da equipe, medida muito criticada por alguns. A despeito disso, foi a partir daí que os talentosos jogadores de criação e finalização passaram a crescer.

Antes pouco produtivos, Cesc Fàbregas e Eden Hazard voltaram a fazer o que os colocou no patamar de grandes estrelas, proferir belos passes, driblar e quebrar a marcação adversária. Anteriormente, apenas Willian conseguia fazê-lo e, mesmo assim, sempre pelo lado direito.

Hoje, durante as partidas, nota-se claramente que os meias dos Blues aparecem por todos os setores – pelos flancos e pelo centro. Além disso, Cesc Fàbregas não tem precisado permanecer sempre em uma condição interior, como um volante, sendo um meia central que muito participa do jogo. Até mesmo o contestado Pedro Rodríguez vinha jogando bem antes de se lesionar.

Hiddink deu liberdade para quem precisa de liberdade no time. Quem mais se beneficiou disso? Diego Costa, o matador. Além disso, o holandês tem conseguido conscientizar seus atletas quanto às capacidades que possuem, mostrando-lhes que podem ser bons em mais de um papel. A liberdade e a opção que faz com seus meias em determinadas partes das partidas mostra isso, assim como a demonstrada confiança em Kenedy e Bertrand Traoré em mais de uma função.

Aliás, na última partida, a permissão para ser expressivo muito se verificou com o brasileiro que veste a camisa 16 dos Blues. Mesmo não sendo originariamente lateral, Kenedy mostrou desenvoltura e personalidade. Não teve medo de avançar e não teve tolhida essa virtude. O resultado foi precoce, com um gol com menos de um minuto de partida. Traoré, por outro lado, vinha sendo opção para a vaga de Diego Costa, mas mostrou qualidade pelo flanco também.

Está muito claro que os jogadores estão confortáveis sob a batuta de Hiddink. E, sem entrar no mérito da gestão de Mou, que sempre será ídolo em Stamford Bridge, isso não se verificava e não nos cabe aferir culpas. Outras mostras disso são os atuais posicionamentos de Cesar Azpilicueta e Branislav Ivanovic, que facilmente se readaptaram às novas-velhas funções que vêm exercendo – como lateral direito e zagueiro, respectivamente.

A partir do início dessa temporada, com o vasto conhecimento por parte de todos quanto à forma como o Chelsea jogava, uma vez que o elenco pouco se alterou, algo precisava ser feito para mudar isso e engessar jogadores que clamam por liberdade não ajudou na missão. Se, por vezes, Hiddink é interpretado como “retranqueiro” por algumas escolhas, grande parte delas tem como objetivo dar “passe livre” para os talentosos brilharem.

Por fim, cabe ressaltar que, mais satisfeitos para mostrar suas aptidões individuais, os jogadores vêm mostrando mais qualidades coletivas e os placares são as melhores provas disso. Se isto está correto ou não, é outra história; o que se tem são fatos, os quais são sempre bons argumentos. Embora os jogadores sejam os mesmos do início da temporada, no momento eles mostram-se muito mais capazes de executar funções e comandos diferentes e variados, renovando a esperança do torcedor blue.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

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Category: Colunistas

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