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Eliminação na Champions: o reflexo de uma equipe sem liderança

A eliminação dos Blues  na Uefa Champions League na última quarta-feira (9) não foi surpresa. Diferente da temporada passada, quando o clube londrino apresentou um futebol mais consistente, mas, por conta de erros individuais e desatenção, deixou a competição mais cedo, a derrota de ontem mostrou que o time não só carece no aspecto técnico e tático como também não apresenta qualquer resquício de liderança dentro de campo.

Analisando os onze iniciais, não há nenhum jogador em que você possa apontar e confiar que decidirá o confronto. A raça de Diego Costa somada ao bom momento de Willian é muito pouco para um clube gigante como o Chelsea. Nem mesmo Courtois tem passado a confiança debaixo das traves, ainda que não tenha sido culpado pelos gols. Ao final do jogo, tínhamos um jovem meia-atacante improvisado como lateral-esquerdo e nosso atacante reserva, que substituiu Diego Costa, apesar do bom momento, tem apenas 20 anos. Isso sem falar do belga que veste a camisa 10 que se arrastou em campo. Só faltou vestir a camisa do PSG no gramado mesmo. Como chegamos a essa situação?

No ano em que vencemos a Champions, não tínhamos uma equipe brilhante tecnicamente, mas que crescia em jogos decisivos, como, por exemplo, a épica partida contra o Napoli. Na ocasião, Drogba, Lampard, Terry e Ivanovic foram decisivos e saímos classificados de Stamford Bridge. A situação, na época, era difícil, mas tínhamos confiança porque líderes estavam em campo e chamavam a responsabilidade. E assim foi durante toda a campanha até o título em Munique. Mas, agora, você olha para os jogadores e vai cobrar quem pelo resultado? Fàbregas? Courtois? Cahill? Kenedy?

O Chelsea, atualmente, é um amontoado de jogadores coadjuvantes, que podem ser bons tecnicamente, como são os casos de Willian, Costa e Fàbregas, mas que não possuem o dom de serem líderes dentro de campo como foram Lampard, Drogba, Cech, Terry, entre outros. E eles não são os culpados por não mostrarem liderança em campo, pois isso vem com o tempo e muito esforço. O grande culpado é outro.

Ibrahimović em Stamford Bridge ontem chamou a responsabilidade. Criticado muitas vezes por ser omisso em jogos importantes, o sueco deu assistência para o gol de Rabiot e fechou a conta no segundo tempo. Mandou no jogo. Fez justamente o que tem faltado ao Chelsea nesta temporada.

Agora, como mudar esse panorama?

Vejo com otimismo a possível vinda de Antonio Conte aos Blues. Ao contrário de Hiddink, o italiano é um treinador que impõe respeito logo de cara. Será o Chelsea de Antonio Conte, ex-treinador da Seleção Italiana e comandante da Juve que conquistou o tricampeonato da Serie A. Não é qualquer um. Tenho certeza que a postura do time, com o italiano à beira do campo, será outra.

Mas o buraco é mais embaixo. Com uma diretoria que pouco valoriza seus ídolos e não consegue controlar o vestiário quando os atletas estão ‘de saco cheio’ do treinador, onde vamos parar?

A verdade é que, hoje, o Chelsea é uma verdadeira bagunça – basta analisar a situação de Alexandre Pato. A solução, ainda mais num clube em que possui recursos para lidar com empecilhos deste tipo, sempre é possível. Mas como confiar num diretor de futebol como Michael Emenalo?

O cenário atual é muito desagradável, mas nada é tão ruim que não possa piorar. Ainda há tempo e a temporada 2016/17 deve reservar muitas surpresas (boas ou não) ao Chelsea.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Category: Colunistas

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