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A hora do até logo

11 de janeiro de 2014 poderia ter sido um dia qualquer em minha vida. É certo que eu estava de férias e meu aniversário se aproximava, nada muito diferente do que há anos acontecia. No entanto, nesse dia fui convidado a integrar a equipe do Chelsea Brasil, logo eu, que não possuía raízes no jornalismo e, tampouco, torcia pelos Blues, aquele time tão estigmatizado pelo fato de ter sido comprado por um bilionário e crescido imensamente desde então.

Apesar de toda a distância que existia entre mim e o clube londrino, aceitei, afinal se tratava de uma nova experiência, o que, a não ser que seja incompatível com o restante das tarefas de nossas vidas, não se recusa. Começou ali uma trajetória curiosa, trabalhosa e prazerosa. Posso, por certo, dizer que fiz amigos. Alguns poucos efetivamente conheci pessoalmente, outros só pelas vias virtuais, o que não foi empecilho para o desenvolvimento dos vínculos de confiança e amizade.

De repórter a colunista, passando pela função de editor-chefe, adentrei um mundo novo e cheio de desafios. Aliás, modéstia à parte, acredito que um pouquinho do que o Chelsea Brasil é hoje tem o meu contributo. Da primeira reportagem, em que noticiava a possível saída de Eden Hazard, passando pela cobertura da Copa do Mundo de 2014, veiculando contratações importantes, correndo com pautas para que saíssem o mais rápido possível (às vezes lutando contra a ressaca e/ou o sono), ao ponto de coordenar uma equipe, vivi com intensidade a realidade de uma redação de muita qualidade.

Vi talentos surgirem. E partirem. Dei e recebi conselhos e dicas, puxões de orelha e aplausos. Pelo amor ao debate, suscitei alguns temas que originaram críticas a minha leitura dos fatos e dos dados, mas também fui elogiado. Não poderia ser diferente, correto? E a cada vez que me vi mais distante do site, sofri.

É bem verdade que nunca me tornei um torcedor do Chelsea e não acho que isso importa. Essas coisas são assim, time não se escolhe. Porém, admito que um respeito imenso por essa instituição e tudo o que a ronda cresceu.

Tenho certeza de que em alguns momentos não consegui suprir as expectativas em mim depositadas, mas fico tranquilo. Sei que o meu melhor foi dado. É por isso que saio, nesse momento, inclusive. O sentimento de estar contribuindo pouco tem crescido e isso vai de encontro a tudo o que representou minha trajetória. Entretanto, é como diz o título. Isso não é um adeus, mas um até logo.

Todos aqui sabem que me manterei leitor do site, sempre disposto a contribuir com o que for necessário. Quem sabe um dia não volto? Foi um prazer imensurável ter estado por aqui. Ver a construção de um time campeão inglês, presenciar sua queda e poder acompanhar a retomada do caminho certo, pelas mãos de Antonio Conte, foi bem legal.

Momentos emotivos como as saídas de Petr Cech e Ashley Cole, ou a primeira partida de Frank Lampard contra os Blues com a camisa do Manchester City, foram igualmente marcantes. Por certo, houve coisas chatas também, como a famigerada “Novela Stones”, mas é parte do jogo, ou alguém se lembra de alguma partida cujos 90 minutos foram de prazer intenso?

Gosto de pensar que saber a hora de parar é uma arte. Acho que essa retirada é oportuna. Por tudo o que vejo do site, ele não precisa mais de mim, sobretudo de um eu que não tem sido inteiro. Mas sempre que for necessário, como disse, posso voltar.

E a você, caro leitor, vai o mais sincero agradecimento, pela paciência, sobretudo. Cresci imensamente nesse interregno entre janeiro de 2014 e novembro de 2016. Também me desculpo por hoje, data em que eu deveria escrever algo o time, uma análise qualquer de tudo que tem acontecido nessa temporada. Não consegui deixar de falar sobre mim e sobre o que essa casa é para mim. Já com uma saudade reconfortante, finalizo:

– Até logo, pessoal. E obrigado, muito obrigado. C’mon CHELSEA!

As palavras no texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Category: Colunistas