A ausência de um camisa 5

O futebol está cada dia mais distante de suas raízes. Foi o tempo que goleiro usava camisa 1, armador vestia a 10 e centroavante era o 9. Aqui no Brasil, isso ainda acontece com maior frequência, mas na Europa a dança dos números e a adoção de uma numeração fixa nas grandes ligas já é uma constante há várias décadas.

Após a ótima vitória do Chelsea contra o Wolverhampton no final de semana fica difícil fazer qualquer observação à conduta do time ou comissão técnica. Torcer para o Chelsea neste jogo foi tão fácil quanto apostar na Copa América! Com três zagueiros, a equipe foi mais segura defensivamente (principalmente quando Rudiger estava em campo) e no ataque, Tammy Abraham vive um conto de fadas com as redes

Mas a ausência de uma peça me incomoda na formação desse elenco. Mesmo que não atuem como titulares, mas praticamente todos os clubes europeus possuem um volante clássico, que reúne atributos como força, altura e boa marcação.

Na Espanha, Real Madrid tem Casemiro; Barcelona, Busquets; Atletico de Madrid, Thomas Partey. Na Alemanha, o Bayern tem Javi Martinez e o Borussia Dortmund, Witsel. Na Itália, a Juventus tem Khedira. Na Inglaterra, Liverpool tem Fabinho, Tottenham tem Wanyama (e Dier), Manchester United tem Matic (e McTominay). E o Chelsea?

Olhando a fundo no elenco, temos três jogadores que podem ser volantes. Kante é o mais volante deles, mas não tem as características citadas. Jorginho é o mais técnico e também mais fraco fisicamente. Já Kovacic é um pouco Kante e um pouco Jorginho, mas sua parte defensiva ainda é deficitária. Já o jovem Gilmour, que fez sua estreia entre os titulares no empate contra o Sheffield, ainda é uma incógnita.

A opção que se foi

Sem um jogador do tipo, me pergunto sobre Bakayoko, que por motivos um tanto quanto desconhecidos não chegou a apresentar um futebol vistoso que todos na Europa o elogiavam além das constantes especulações de uma possível titularidade na seleção de seu país. O francês retornou da Itália após o seu empréstimo ao Milan e estava no elenco porém após algumas avaliações, foi emprestado para o Monaco, clube no qual estava quando foi adquirido pelos Blues. Forte, alto e com boa marcação, Bakayoko poderia ser uma boa opção no elenco de Frank Lampard.

Bakayoko seria um jogador de característica única no elenco dos Blues (Foto: Chelsea FC)

Titular, não. Mas em partidas como a contra o próprio Sheffield, onde o treinador colocou o menino Gilmour em campo, Bakayoko poderia ser uma alternativa para dar sustentação a um sistema defensivo ainda instável nessa temporada.

O francês já provou ser um bom volante, seja jogando como único marcador (no caso do Milan na temporada passada) ou ao lado de outro na posição (no caso do Chelsea de Antonio Conte). Muito além de ser um brucutu, Bakayoko daria ainda maior profundidade a um elenco que já é muito bom, mas que poderia ser ótimo.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Willian Guerra