Treinador revelou encontro com Abramovich

Entrevista de Sampaoli deixa claro a falta de um planejamento no Chelsea

As especulações sobre quem será o novo treinador do Chelsea parecem brincadeira de criança: tá frio, tá quente. Tá frio de novo. E o nome que mais tem sido aquecido (e reaquecido) na mídia é o do italiano Antonio Conte, que é dado como certo para assumir depois da Eurocopa. Mas antes já estivemos quentes em Guardiola, Allegri, Pellegrini, e também Jorge Sampaoli. Mas todos esfriaram, apesar de terem sido dados todos como certo.

E essa montanha russa de especulações reflete bem a temporada do Chelsea. Instável e com subidas lentas seguidas por quedas repentinas, rápidas e longas.

Porém, essa história ganhou um novo capítulo, que além de impactante, é o primeiro a ter realmente confirmação fática de veracidade. Até porque foi uma das partes quem falou diretamente sobre o assunto: Jorge Sampaoli, o argentino que até outro dia treinava o Chile, com o qual ganhou a Copa América e foi indicado ao prêmio de melhor treinador do mundo com todos os méritos possíveis.

Em entrevista à rádio argentina Vorterix, o treinador revelou encontro com Abramovich, em que o russo disse que ele era a primeira opção para o cargo, explicou por que acabou não sendo o treinador e deixou implícito que Conte será mesmo o treinador do Chelsea. Perguntando se realmente houveram contatos com os Blues, o treinador respondeu:

“Eu tive uma reunião com o dono do clube (Roman Abramovich) e ele me disse que eu era a primeira opção para o cargo. Mas então apareceu Conte e a situação passou a ser uma disputa entre eu e ele.

Seria um dos dois, mas eu tinha a situação de que precisava de um tempo para melhorar meu inglês e infelizmente este tipo de clube não te dá isso.

A Premier League é uma das melhores ligas do mundo e eu tenho este desejo de treinar lá. Mas infelizmente não aconteceu.”

Esta declaração do arrojado treinador mais do que bombástica é reveladora em relação a um assunto que já vem sendo discutindo há um tempo: o planejamento duvidoso da atual diretoria azul. Isto porque, no futebol atual, com experiencias já reveladas pelos próprios clubes e estudadas e analisadas, as diretorias de grandes clubes definem um planejamento, que passa pelo padrão de jogo inclusive, e posteriormente buscam profissionais, jogadores e treinador principalmente, que se enquadrem neste perfil. Foi assim em Barcelona e Bayern de Munique, por exemplo.

Mas a entrevista de Sampaoli evidencia exatamente o contrário: a diretoria do Chelsea não tem um planejamento bem traçado. Basta analisar a disparidade de filosofia de trabalho dos dois treinadores que estavam no páreo para o cargo na próxima temporada. Um, o próprio argentino, afeito de algo próximo do futebol total, com posse de bola, troca de posições constantes, passes curtos e pacientes equilibrados com contra ataques rápidos e de passes precisos, e acima de tudo sistema de jogo ofensivo, em que praticamente todos atacam e todos também marcam, mesmo sem posições rígidas.

O outro, Conte, é adepto de um futebol de resultado, por assim dizer, da escola típica italiana. Defesas sólidas e priorizadas. Construção do time baseado primeiro na solidez da marcação e só depois buscar os resultados, geralmente por curtas margens no placar, a partir do erro dos outros. Seus times tem jogadores com posições e funções rígidas e definidas. Times de especialistas. Muito bem organizados e táticos, mas pragmáticos. Não atoa Conte é treinador da Seleção Italiana.

Ambos são bem sucedidos e conquistaram títulos relevantes. Mas o sistema de jogo que ambos adotam e suas filosofias são tão distintas que chega a ser assustador que eles concorressem ao mesmo cargo. Falando uma linguagem fácil do futebol: um é um Guardiola enquanto o outro é um José Mourinho. E o fato de ambos terem sido as escolhas finais da diretoria azul só mostra que não há um planejamento definido no Chelsea.

O planejamento, pelo contrário, vai começar com a decisão do treinador, e isso, mais que um erro, é um risco, como já vimos com a última passagem de José Mourinho. Porque se as definições do treinador falham, você fica a ver navios, como é esta temporada, e tem de se iniciar um trabalho do zero novamente, o que te deixa atrás dos seus principais concorrentes. Contudo, se um planejamento é traçado pelo clube e o treinador é apenas uma das engrenagens neste projeto, como foi Mourinho em sha primeira passagem, as coisas tendem a funcionar melhor e mesmo que o trabalho não seja dos melhores, você pode substituir o treinador sem alterar o médio prazo, o traçado original.

É isso que os clubes que hoje brigam pelos principais títulos têm feito. E nisso, a nossa diretoria mostra que tem ficado para trás. Torcemos para que dê sempre certo, claro, mas já fica aquela sensação de que o trabalho da nossa de bastidores e planejamento poderia ser mais bem feito. Pelo menos é o que deixa claro a fala de Sampaoli.

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Category: Mercado de Transferências

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