Os benefícios de ter uma boa academia

Michael Emenalo possui uma história especial junto ao Chelsea Football Club. Depois de desembarcar no clube em 2007, na época em que o israelense Avram Grant estava no comando da equipe e desempenhar a posição de chefe do departamento de recrutamento, Emenalo foi promovido para assistente do time principal em 2010 e, em 2011, recebeu o cargo de diretor técnico do clube. A BetGold proporciona momentos especiais para os torcedores brasileiros.

 

Se a sua saída foi tomada pelo desgaste e por considerar que o seu ciclo chegou num fim, principalmente com Antonio Conte assumindo o cargo de treinador e desejando mais controle sobre a transferência de jogadores em 2017, o seu período como membro da comissão técnica do clube foi fundamental para um aspecto específico: o desenvolvimento da academia e de uma equipe jovem.

 

Desde o início de 2010, a equipe sub-23 e as categorias abaixo somaram uma quantidade importante de títulos, como símbolo de que a equipe esteve reforçando o seu compromisso com a missão de revelar jovens talentos, tendo a Premier League Sub-23 de 2013/2014 e a UEFA Youth League de 2014/2015 e 2015/2016 como exemplos claros de sucesso dentro e, porquê não, fora de campo também. 

 

Por outro lado, jogadores como Romelu Lukaku, Nathan Aké, Daniel Sturridge, Kevin De Bruyne, Thorgan Hazard e Mohamed Salah foram jovens talentos que passaram pelas academias ou pelo time principal do Chelsea sem receber grandes oportunidades no time principal e que estouraram em outras equipes, a exemplo de Salah no Liverpool, que venceu a UEFA Champions League, o Mundial de Clubes e a Supercopa da UEFA no ciclo 2018/2019 e está a poucos jogos de confirmar matematicamente o título da Premier League, considerando que o LFC não vence a liga desde a temproada 89/90 e nunca foi campeão da nova era que tornou o Campeonato Inglês o mais poderoso de todo o mundo.

 

De qualquer forma, Roman Abramovich, além de todo o investimento para tornar o Chelsea um grande do futebol mundial, também dedicou tempo, dinheiro e esforços para tornar o seu clube como um time de boa estrutura nas categorias de base. Figuras como Piet de Visser foram fundamentais para estruturar e colocar em prática o plano que está dando muitos frutos atualmente. Na época, o holandês, que era um observador e foi responsável por identificar jogadores como Romário e Ronaldo na época em que trabalhou para o PSV da Holanda, indicou o nome de Frank Arnesen para Abramovich e assim a revolução foi iniciada. De acordo com o próprio De Visser, Roman estava esgotado em ter que pagar milhões e milhões para grandes estrelas, como Didier Drogba e Michael Essien e foi por esse motivo que o holandês de 85 anos foi o responsável não só por encontrar jovens talentos para desenvolver os mesmos para jogarem no time principal no longo prazo. Se a passagem de Arnesen não teve o sucesso esperado, jogadores como Salomon Kalou, Florent Malouda e John Obi Mikel foram os nomes que brilharam com a camisa do time londrino sob a tutela do dinamarquês.

 

A partir daí, Michael Emenalo deu continuidade ao trabalho de convencer não apenas Abramovich, que já havia se inclinado a investir na academia, mas toda a parte interna do Chelsea que a dedicação daria resultados. « Eu defendi a academia quando surgiu pressão, dúvidas e pessimismo. Houve um tempo em que um treinador veio realizar uma apresentação para dizer que academia era irrelevante. O argumento dizia que tomava muito tempo e a gente não havia esse tempo, sendo que o dinheiro deveria ser revertido em outras frentes », disse Emenalo para uma entrevista para o Telegraph.

 

O próprio também disse que o dono da equipe foi fundamental ao insistir no investimento nas camadas jovens e o russo foi convencido de que era possível ter uma equipe com o mínimo de 60% de jogadores vindos das categorias de base e que era necessário ter jogadores que cresceram juntos e que haviam desenvolvido uma cultura coletiva, pegando exemplo com o Barcelona e a geração de Xavi, Iniesta e Busquets. Com uma filosofia estabelecida desde o time sub-18 para os jovens lidarem com o ritmo de jogos e o cansaço acumulado, além de envolver mais os jogadores envolvidos no programa de empréstimos, como Andreas Christensen, a nova estratégia foi desenhada. « A intenção é, em algum ponto, ter 30 ou 40% do elenco feito com jogadores de impacto. Os outros 60% e 70% serão os jogadores da academia », completou Michael.

 

Em 2015, o diretor e Abramovich assistiram juntos o título da FA Youth Cup e, na ocasião, Tammy Abraham e Fiyako Tomori estavam em campo e hoje são peças fundamentais no elenco principal que compete na Premier League. Atualmente, jogadores como Abraham, Tomori, Christensen, Reece James, Ruben Loftus-Cheek, Mason Mount, Billy Gilmour e Callum Hudson-Odoi são parte do elenco liderado por Frank Lampard e outros, como Ethan Ampadu, estão emprestados para equipes como o RB Leipzig. 

 

No meio de 2019, o Chelsea foi punido pela FIFA por infringir as regras envolvendo transferências de jogadores menores de 18 anos e, por coincidência, as categorias de base emergiram para dar sustentação ao clube que esteve impedido de contratar peças para reforçar o elenco principal. A cultura, citada por Emenalo, está sendo propagada por um jogador que fez história em casa e é sob a liderança de Lampard que o Chelsea caminha para um futuro que finalmente dará seus frutos depois de quase duas décadas sem sucesso em relação ao desenvolvimento de jovens talentos.

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