Terceiro Tempo: Uma pausa providencial

O começo de temporada para o Chelsea não foi dos melhores. A derrota para o Manchester United e o empate com o Leicester até podia rondar a cabeça do torcedor mais pessimista. No entanto, o 2 a 2 contra o Sheffield, em Stamford Bridge surpreendeu as principais casas de apostas brasileiras e tendo 2 a 0 na frente do placar fez com que a torcida desanimasse.

Cinco pontos em 12 possíveis não foi o início dos sonhos na Premier League. A diferença para o líder Liverpool já é de sete pontos em apenas quatro rodadas. Isso faz com que, matematicamente falando, não dependêssemos mais de nós mesmos para vencer o campeonato inglês.

Porém, quis o destino que colocasse uma ‘data FIFA’ no calendário. E, por sinal, ela vem muito bem obrigada. As próximas semanas reservam aos Blues estreia na UEFA Champions League, jogo decisivo na Copa da Liga Inglesa e clássico contra ninguém menos que o Liverpool na Premier League.

Primeiro Tempo – Por que o início foi ruim?

Antes de mais nada é imprescindível frisar que ainda estamos em setembro e longe de mim iniciar a temporada de caça as bruxas. Pelo contrário, só vejo o Chelsea evoluindo com o passar das semanas e os retornos de Rudiger, Kante, Loftus-Cheek e Hudson-Odoi.

Além de dar maior profundidade ao elenco, o quarteto pode muito bem fazer parte do time titular dos Blues nessa temporada. Dois desses jogadores já respondem até parcialmente a pergunta desse Primeiro Tempo. A segurança que Rudiger e Kante podem trazer a defesa dos azuis de Londres é incomparável.

Retorno de Rudiger melhora o setor defensivo do Chelsea (Foto: Getty Images)

Sem o alemão, Frank Lampard mandou a campo duas duplas de zaga nesse começo de temporada. Contra Manchester United, Leicester e Norwich, Zouma e Christensen foram os titulares. Já na partida contra o Sheffield, Zouma e Tomori fizeram a dupla. Em ambas, o Chelsea saiu de campo com gols sofridos e com a sensação de que os placares poderiam ser ainda piores.

No caso de Kante, o francês até chegou a atuar em algumas partidas nessa temporada, mas a falta de ritmo pela ausência de uma pré-temporada o atrapalhou em campo. Sem o nosso melhor marcador no meio-campo, sofremos quatro gols em dois jogos. Um número atípico até mesmo na temporada anterior, onde Kante jogava mais a frente e a defesa ficava mais exposta.

Com a pausa para a data FIFA, a dupla corre contra o tempo para poder estar disponível ao técnico Frank Lampard. O estado de Rudiger é melhor e é provável que o alemão faça sua estreia na temporada no próximo final de semana, contra o Wolverhampton, fora de casa.

Segundo tempo – O blefe de Barkley

Melhor jogador da pré-temporada, Ross Barkley despontava ser uma das grandes atrações do Chelsea na temporada. Com uma formação mais adequada para o seu estilo de jogo, o inglês voou em jogos amistosos, impressionou comissão técnica e animou torcedores.

O moderno 4-2-3-1 montado por Lampard deixou o camisa 8 com liberdade para jogar como armador e cair pelas laterais. A posição é bem semelhante a qual ele desempenhou com a camisa do Everton e que fez Barkley chegar a seleção da Inglaterra.

Na pré-temporada ele foi isso e se deu muito bem. Seja com lançamentos de cinquenta metros, com enfiadas de bola ou chutes de fora da área, o inglês encheu de entusiasmo os fãs.

Barkley voou na pré-temporada e só (Foto: Reprodução Twitter Oficial Chelsea)

No entanto, quando o jogo foi de campeonato Barkley pouco produziu. Na última partida, por exemplo, contra o Sheffield, dos cinco homens de meio-campo, o jogador foi o mais apagado. Mason Mount, que deveria ser um coadjuvante no elenco tem se destacado muito mais. Insinuante, o outro inglês da posição vem ocupando a faixa deixada por Hazard e não sentiu a pressão.

Já Barkley, que ocupa um lugar há muito tempo vazio do time (o Chelsea não joga com uma linha de 3 meias desde 2016, com Guus Hiddink), não merece continuar como titular. Com Hudson-Odoi e Loftus-Cheek saudáveis, é grande a possibilidade do camisa 8 retornar ao banco de reservas. E pior. Até de não ser relacionado para algumas partidas.

Para dar a volta por cima, Ross Barkley precisa ser o que ainda não foi em jogos oficiais. Chamar a responsabilidade e querer ser protagonista. Falta isso a equipe. Por mais talentosos que sejam Mount e Tammy Abraham, um time do tamanho dos Blues não pode deixar com que dois jovens sejam seus destaques. Falta uma peça que desequilibra. Falta um jogador como o Barkley foi nos jogos de pré-temporada.

Prorrogação – O futuro é logo ali

A pausa foi essencial. Colocou os ânimos no lugar, Lampard ganhou mais tempo para trabalhar com o grupo e devemos ter o retorno de jogadores que estavam contundidos. No entanto, o futuro é logo ali e promete ser nada amigo.

Para começar, temos o Wolverhampton, sábado, no Molineux. Na temporada passada, dois jogos pela Premier League e nada de vitória dos Blues. A equipe do técnico Nuno Espírito Santo é muito boa e não é a toa que terminou na 7ª colocação na temporada passada. Como dizem, foi a melhor equipe fora os times do Big 6.

Para o jogo desse sábado (14), o setor defensivo do Chelsea precisa estar atento. O ataque dos Wolves é forte e o contra-ataque fulminante. Volantes, laterais e zagueiros terão muito trabalho para garantir o primeiro clean sheet dos Blues no ano.

Logo na sequencia da temporada, a equipe faz sua estreia na UEFA Champions League. O Valencia está longe de ser uma potência europeia ou até mesmo da Espanha, como já foi há anos atrás. Mesmo assim, o adversário será complicado e tem condições de arrancar pontos dos azuis de Londres em Stamford Bridge.

Para completar a trinca, nada menos que o Liverpool pela Premier League. O jogo será na nossa casa, o que minimiza um pouco o problema. Diferente da partida da Supercopa da UEFA, nessa os Reds devem vir com força total e poderão contar com o retorno do goleiro Alisson. O brasileiro foi eleito o melhor arqueiro da última temporada europeia e será um adversário interessante de ser furado pelo ataque azul.

Chelsea tem sequência difícil e decisiva pela frente (Reprodução: Squawka Football)

Em caso de vitória, mesmo que os resultados anteriores não tenham sido os melhores, o ânimo será outro após vencer o Liverpool. Por outro lado, tudo pode ficar ainda mais nebuloso em caso de derrota para os Reds.

Sem confiança, como seria a cabeça dos jogadores para a partida seguinte, pela Copa da Liga Inglesa, ainda sem adversário definido?

Esperamos que a pausa da data FIFA tenha sido primordial para o futuro do Chelsea. A primeira resposta para tantas dúvidas será dada nesse sábado.

C’mon Blues!

Willian Guerra