Terceiro Tempo: Todo time tem problemas

Os torcedores do Chelsea certamente estão felizes e surpresos com o desempenho do time na temporada 2019/2020. Foram muitas soluções encontradas pelo treinador Frank Lampard de forma rápida, o que transformou a confiança dos jogadores.

Mas, como em todo clube de futebol, alguns pontos negativos existem, sejam eles coletivos ou individuais. Se tratando do time mais jovem da história do Chelsea, é compreensível que nem tudo esteja dando certo.

Primeiro Tempo: Um início animador

O time começou a temporada surpreendendo positivamente (Foto: Chelsea FC)

A equipe vem se destacando positivamente neste início de temporada. Após 12 rodadas, o time é o terceiro colocado da Premier League, com 26 pontos, mesma pontuação do vice-líder Leicester City. O Liverpool lidera a competição com 34 pontos, enquanto o Manchester City é o quarto, com 25.

Levando em consideração a pontuação do Arsenal (17), do Manchester United (16) e do Tottenham (14), é plausível imaginar que os atuais quatro primeiros colocados sejam também os quatro primeiros ao fim da competição. Dessa forma, Liverpool e Manchester City devem brigar pelo título enquanto Chelsea e Leicester disputam o terceiro e quarto lugar na tabela.

Na Champions League, o Chelsea é o segundo colocado do Grupo H após quatro rodadas, com sete pontos, mesma pontuação do líder Ajax e do terceiro colocado Valência. O critério de desempate, o saldo de gols, coloca o time holandês na frente, com cinco, mas deixa os Blues empatados com o time espanhol com um gol de saldo. O que permite que a equipe azul de Londres esteja na frente do Valência é o fato de ter marcado um gol a mais até aqui. O último colocado do grupo, Lille, tem apenas um ponto e já não possui grandes aspirações.

Poucos imaginavam um início tão bom da equipe comandada por Frank Lampard. Em uma temporada conturbada pela punição da FIFA e pela saída de Eden Hazard, os Blues têm sido extremamente vencedores nas duas competições mais importantes que disputa.

No âmbito europeu, a classificação para as oitavas de final não está garantida, mas também não está tão distante. Na perspectiva doméstica, os jovens comandados de Frank Lampard já se tornaram destaque nos debates de futebol da mídia inglesa depois de um começo incrível de Premier League.

Segundo Tempo: As deficiências defensivas

Lampard sabe que o time precisa sofrer menos gols (Foto: PremierLeague.com)

Porém, como todos sabem, nenhum time é perfeito. Alguns pontos negativos podem ser observados, indicando que correções precisam ser feitas para que a equipe possa manter o ritmo.

Está claro que a defesa precisa de ajustes. Na Premier League, o time tem vinte e sete gols marcados e dezessete sofridos, o que mostra que o ataque funciona bem, enquanto a defesa deixa a desejar.

Os únicos jogos da liga em que o Chelsea não sofreu gols foram na vitória de dois a zero contra o Birghton em Stamford Bridge, já na sétima rodada, na vitória de um a zero contra o Newcastle, também em casa, na nona rodada, e no triunfo de dois a zero contra o Crystal Palace, na última rodada, a décima segunda, também jogando em seus domínios. São apenas três clean sheets em doze rodadas, número preocupante para Lampard.

A campanha não foi tão afetada porque em muitos jogos em que a defesa não esteve bem, o time fez mais gols do que o adversário. O jogo de três a dois contra o Brighton, o cinco a dois contra o Wolverhampton e o quatro a dois contra o Burnley foram exemplos de partidas em que o ataque compensou a deficiências defensivas.

Já na Champions League, são sete gols marcados e seis sofridos. Novamente fica clara a diferença de desempenho dos setores. Em quatro rodadas, o time só não sofreu gol em uma, na vitória de um a zero sobre o Ajax, em Amsterdam, na terceira rodada. Em todas as outras, a defesa não conseguiu se sobressair.

Na primeira rodada o Chelsea foi derrotado por um a zero pelo Valência em casa, enquanto na segunda venceu o Lille, na França, por dois a um. Na quarta rodada, a última disputada, o jogo extremamente intenso contra o Ajax, na Inglaterra, terminou com o empate de quatro a quatro, mostrando mais uma vez as deficiências de organização do sistema defensivo.

Terceiro Tempo: Jogadores irregulares

Marcos Alonso está deixando a desejar defensivamente (Foto: Getty)

A responsabilidade pelo fraco desempenho da defesa é, em parte, de Lampard, que precisa procurar meios para que o time não fique tão exposto para contra- ataques e sofra menos nas jogadas de bola parada. Por outro lado, alguns jogadores precisam melhorar suas performances individuais, principalmente em suas funções defensivas.

Na lateral esquerda, Emerson e Marcos Alonso não conseguiram convencer até aqui. O ítalo-brasileiro começou a temporada como titular e teve boas atuações, mas se lesionou e deu espaço para o espanhol no time titular. Desde então, Alonso tem se mostrado muito eficiente no ataque, marcando até mesmo o gol da vitória na partida conta o Newcastle, na nona rodada.

Porém, defensivamente, são muitos erros que estão comprometendo sua participação. No empate de quatro a quatro contra o Ajax pela última rodada da Champions League, Alonso foi substituído pelo lateral direito Reece James no intervalo, o que mostrou a insatisfação de Lampard com seu desempenho. O treinador inglês preferiu deslocar César Azpilicueta da lateral direita para a esquerda do que manter o espanhol em campo. Azpilicueta jogou durante muito tempo como lateral esquerdo, mas não fazia a função há bastante tempo.

A realidade é que Alonso joga melhor como meia esquerda, como jogava quase sempre na Fiorentina, ou como ala esquerdo, como jogou com Antonio Conte na época em que o italiano treinava o Chelsea e utilizava o sistema de três zagueiros e dois alas, dando liberdade para Alonso nas jogadas ofensivas.

Emerson, que retornou de lesão há algum tempo, já voltou à sua melhor forma física e poderia ser a solução para o problema. Ele é melhor do que Alonso no âmbito defensivo e vem até sendo titular da seleção italiana sob o comando de Roberto Mancini.

Lampard o colocou como titular contra o Burnley, na vitória por quatro a dois na sétima rodada, mas o lateral mostrou estar extremamente desatento e sem foco. Em algumas jogadas, parecia até demonstrar certa falta de vontade e falta de agressividade. Dessa forma, logo voltou à reserva na partida seguinte.

Prorrogação: Uma velha saída

A solução pode acabar sendo a utilização de Azpilicueta como lateral esquerdo, lembrando os velhos tempos em que José Mourinho resolveu deixar Ashley Cole (em 2013-2014) e Filipe Luis (em 2014-2015) no banco para improvisar o espanhol na lateral esquerda.

Azpilicueta começou mal a temporada, mas já retornou a um nível estável de atuações. Todavia, não tem sido um dos pontos fortes do time. Reece James entrou muito bem contra o Ajax e foi titular no jogo seguinte, contra o Palace.

Pode-se dizer, então, que talvez a solução seja, de fato, substituir Azpilicueta por James na lateral direita e, ao mesmo tempo, deixar Alonso e Emerson de fora na esquerda, usando “Azpi” de forma improvisada.

Outro jogador que tem sido irregular é o goleiro Kepa Arrizabalaga. Ele é claramente um ótimo goleiro e tem um futuro brilhante à frente, mas comete alguns erros em lances simples. Muitas vezes a bola passa perto de seu alcance, mas entram no gol por certa falta de elasticidade e reflexo.

É claro que Kepa não chega a ser um destaque negativo, pois compensa suas falhas em lances mais fáceis com defesas dificílimas em momentos cruciais dos jogos, como, por exemplo, na vitória de dois a um contra o Watford, fora de casa, quando salvou o time no último segundo de jogo com uma ótima defesa.

Além disso, o espanhol sabe sair do gol em cruzamentos, abafa bem a bola nos pés dos atacantes adversários e tem qualidade jogando com os pés. Todas essas são habilidades importantíssimas para os goleiros no atual futebol, o que o credencia a estar entre os melhores do mundo em alguns anos.

Por último, é importante ressaltar a queda de produção de Mason Mount nos últimos jogos. Ele começou a temporada voando, mas não está mais conseguindo participar tanto da criação de jogadas ofensivas e, ao mesmo tempo, não está sendo capaz de agregar defensivamente. Ele ainda tenta muitos chutes de fora da área, e se sai muito bem, mas está participando pouco do toque de bola no meio campo, ficando muito vezes sem função, pois joga adiantado em um meio campo onde Jorginho e Matteo Kovacic (ou N’golo Kanté) começam as jogada de ataque seja na posse de bola ou nas transições rápidas.

Mount tem apenas vinte anos e tem muito a crescer e aprender jogando em um clube grande como o Chelsea. Mesmo com a irregularidade, ainda é uma das grandes surpresas da temporada e faz com que o torcedor se anime com sua perspectiva de crescimento nas próximas temporadas.

Bruno Pizarro