Terceiro tempo: A dura realidade do Chelsea

A rodada perfeita para o Chelsea. Assim era tratado os jogos que se passaram no fim de semana. United, Tottenham e Arsenal perderam seus jogos. O Chelsea jogaria hoje, depois do vacilo de seus adversários. Podendo assumir a 3ª colocação, os Blues receberam o Burnley em pleno Stamford Bridge. Um adversário da parte de baixo da tabela, jogando em casa. O que poderia dar errado?

Primeiro tempo

A defesa tem falhado bastante nessa temporada (Foto: Getty Images)

Com o campeonato chegando ao fim, o Chelsea busca desesperadamente uma vaga na próxima UEFA Champions League. Diante de uma disputa acirrada, os rivais vão tropeçando e o Chelsea…também. Tendo uma das tabelas mais complicadas entre os quatro que disputam duas vagas na Champions, os Blues têm que aproveitar os jogos considerados mais fáceis, já que nos clássicos tudo pode acontecer.

No entanto, os comandados de Sarri vem deixando pontos pra trás, embolando cada vez mais a disputa por essa vaga, trilhando assim um caminho perigoso. Um retrato disso é o jogo de hoje: empate contra o Burnley (segundo time acima da zona de rebaixamento) em Stamford Bridge. Assim como vem acontecendo, os Blues poderiam facilmente ter vencido o jogo, mas sofreram gols devido as inacreditáveis falhas de marcação e não conseguiram reverter o resultado adverso.

Chega a ser impressionante o fato de que boa parte dos pontos perdidos recaem sobre gols sofridos de forma bizarra, traduzindo um sistema defensivo falho e coletivamente ruim, esse mesmo sistema que outrora era o ponto mais forte do time. Foi assim com Conte, com Mourinho e alguns outros. Hoje, o time tenta adotar um estilo muito diferente do seu padrão, e ofensivamente assimila isso de forma muito mais fácil do que mantém um boa defesa.

Naturalmente, o desempenho ofensivo aquém do esperado, por vezes é culpado de um mau resultado. Porém, gols sofridos tem tanta culpa quanto os não marcados. O Chelsea marca e leva gols com a mesma facilidade. Individualmente, a defesa é boa. Coletivamente, uma bagunça. É preciso arrumar a defesa, que peca demais principalmente em jogadas de bola parada. O time tem evoluído quando se trata de aplicar o estilo do Sarri, mas a defesa não apresenta melhora alguma.

Segundo tempo

O Chelsea já venceu a Europa Leagua e busca mais um título da competição (Foto: Getty Images)

A Premier League não é a única forma do Chelsea alcançar a Champions na próxima temporada. Estando na semi-final da Europa League, o título da competição garante um lugar na maior competição de clubes do mundo na próxima temporada. É uma boa notícia, afinal se o Chelsea continuar perdendo pontos como o de hoje, vai ficar pra trás de seus rivais. Mas o Chelsea busca mais do que voltar a Champions League. Quer novamente se afirmar como uma potência fora e dentro da Inglaterra.

A ascensão de Liverpool e City no cenário internacional coloca novamente a Inglaterra à vista na Champions, que já há algum tempo não era protagonista na competição. O Liverpool foi finalista na última edição e temos dois ingleses na semi, um em cada lado da chave, podendo caracterizar uma final inglesa, que não acontecia desde Chelsea x Manchester United lá em 2008.

Tendo isso em vista, os Blues devem pensar em se afirmar dentro e fora de campo, vencendo jogos e conquistando pontos. A Europa League deveria ser um adendo, mas diante da situação, é basicamente uma obrigação, porque sem ela, as chances do Chelsea ficar mais uma vez fora da Champions é alta, pois ficamos em situação semelhante na temporada passada, onde dependíamos de nós mesmos e ainda assim, perdemos pontos bobos e acabamos na Europa League.

O título da Europa League é importante por vários motivos, mas o seu principal, que é a escada para a Champions, é o único que não deveria ser tão importante. A Premier League é, como todos sabem, o campeonato mais disputado do mundo. As paralelas brigas pelo título e pelo G4 mostram isso. Cada vez mais, o campeonato tem se nivelado por cima, dando destaque aos melhores.

Se o Chelsea quer aparecer entre os melhores no cenário internacional voltando a Champions como um candidato ao título (leia-se candidato e não favorito), a Premier League é o primeiro passo, e terminar o campeonato fora da zona de classificação para esta já pode dizer muito sobre o nível do elenco. A Europa League, apesar de ter bons times, é um campeonato muito abaixo e ganha-la tem seus méritos, mas não traduz a força do grupo.

Um título na primeira temporada é muito importante para o andamento do trabalho do treinador e até mesmo a sua permanência, visto que é incerto que Sarri permaneça à frente dos Blues. Tendo chegado até a final da Copa da Liga contra o City e estando ainda na briga da Europa League e pelo G4, o trabalho do italiano pode render bons frutos e ser visto com bons olhos pela diretoria, dependendo dos rumos que tome daqui até o final.

Isso reitera ainda mais a importância de vencer a Europa League, que pode ser muito mais importante para um clube do nível do Chelsea do que deveria. Ainda assim, os Blues devem buscar ao máximo o acesso também através da Premier League, porque os adversários, assim como o Chelsea, também tropeçam.

Acréscimos

Kovacic ainda não convenceu com a camisa azul (Foto: 90min)

O jogo de hoje deixou claro que o Chelsea tem problemas em seu elenco. Diante de um ótimo desempenho ofensivo no primeiro tempo, o time de Sarri voltou para a segunda metade com duas alterações. Kovacic e Pedro entraram nos lugares de Kanté e Odoi. A partir daí, o time martelou, martelou, mas faltou ímpeto ofensivo. As jogadas não fluíam e o time caiu na pilha do Burnley, que com um empate fora de casa, valorizou o máximo que pôde.

O time que começou é tratado hoje como o ideal. Loftus-Cheek vem jogando muito bem e a cada jogo tem mostrado que não pode ser reserva do time. Com apenas 18 anos, Odoi oscila, o que é normal para um jogador da sua idade, mas tem mostrado personalidade e ganhado cada vez mais tempo em campo, tendo seu bom desempenho reconhecido pelo treinador.

No entanto, Kovacic ainda não mostrou a que veio. Pedro e Willian se mostram cada vez menos merecedores da titularidade. Para completar, o Chelsea ainda trava uma batalha na justiça para poder contratar jogadores na próxima temporada. A punição pode ser muito dura para um clube que almeja voltar às suas glórias diante de uma temporada de altos e baixos e um elenco que precisa de renovação.

Túlio Henrique