Para a “revolução” do Chelsea se concretizar, Lampard e Terry devem ser sacrificados

Lampard e Terry em coletiva de imprensa: terá acabado sua era no clube ? (Foto: Lisa Blumenfeld/Getty Images)

O jornalista Liam Twomey fez uma matéria sobre a situação atual de duas das maiores lendas dos Blues, que, ao que tudo indica, podem estar de saída. Confira a sua opinião:

O Chelsea vem sendo muito efetivo no ataque, porém, a idade parece estar pesando para as duas lendas dos Blues, fato que pode estar atrapalhando o rendimento do time.

O ataque do Chelsea se mostrou em ótima forma contra times como Wigan, Reading e Newcastle. Já a defesa não se mostrou tão segura quanto a que rendeu ao Chelsea o título da Uefa Champions League na temporada passada.

A ofensiva formação 4-2-3-1 usada por Di Matteo nesta temporada tem feito com que a defesa fique muito vulnerável. Essa estratégia deixou o Chelsea muito poderoso no ataque, com Hazard e Mata tendo ótimas atuações, enquanto Fernando Torres parece estar voltando a atuar como antigamente.

O problema é que com três jogadores tendo o papel de servir Torres, os laterais do Chelsea frequentemente são deixados sozinhos na marcação contra os adversários. Para aliviar essa situação, os meias que atuam pelos lados devem recuar mais frequentemente, dificultando o trabalho do ataque adversário.

Porém, há outros problemas com a estrutura do time, problemas estes que não são tão facilmente resolvidos. A falta de mobilidade do meio campo parece assombrar algumas partidas dos Blues na temporada. O maior exemplo desse fato visto até então foi a partida contra o Atlético de Madrid.

Lampard e Mikel possuem diversas qualidades, porém a velocidade não é uma delas. O Atlético soube explorar muito bem isso, impondo velocidade no meio de campo, encontrando assim, uma defesa totalmente exposta. Dessa maneira, Falcão Garcia, um dos melhores finalizadores da atualidade, teve facilidade para fazer três gols, podendo até mesmo ter marcado mais vezes.

Claro que a partida contra o Atlético em Monaco não traduz o futebol do time, mas o problema do meio campo sem mobilidade se mantém enquanto Lampard está presente.

Frank, responsável por grande parte dos gols do Chelsea nos últimos anos, sem dúvida é uma lenda e é reverenciado por todos os torcedores do Chelsea. Contudo, a idade parece estar chegando, e em um time cheio de jovens promissores, a lentidão de Lampard está dificultando o trabalho da equipe.

Municiado por brilhantes jovens meias, Torres está voltando a ser o artilheiro que fez sucesso no Atlético de Madrid e no Liverpool. Portanto, o ataque do time não depende mais de Lampard como antigamente. O que se espera de Lampard agora, é que faça o trabalho de oferecer a bola com qualidade para os jovens criadores do time, como Hazard, Mata e Oscar.

Sem dúvidas Lampard possui técnica para exercer essa função, mas falta rapidez e mobilidade para ser um segundo volante eficaz, ainda mais atuando ao lado de um primeiro volante como Mikel, que também não é rápido e tem, principalmente, o papel de destruir as jogadas dos oponentes. O Atlético de Madrid aproveitou isso muito bem, mostrando a outros times qual o segredo para vencer o Chelsea quando Lampard está jogando.

Para a sorte dos Blues, a equipe conta com Ramires, o jogador perfeito para ser o segundo volante veloz, dinâmico e incansável que Lampard não consegue ser. Ramires é capaz de carregar a bola com grande agilidade, facilitando a transição da defesa para o ataque. Ao mesmo tempo, sua ética na marcação e sua impressionante disposição oferecem mais segurança para a defesa da equipe.

Ao retirar Lampard da equipe, Ramires sai da faixa direita do campo e passa a ser o segundo volante. Assim, Oscar pode entrar no meio e aumentar ainda mais o poder ofensivo do time. Outros jogadores também podem ter oportunidades no meio, como Victor Moses e Marko Marin.

Outro preocupante problema está na defesa, onde o capitão John Terry também começa a cair de produção. A idade de Terry está fazendo com que ele se transforme, em muitos momentos, em uma estátua na linha de defesa.

A estratégia defensiva utilizada nos jogos contra o Barcelona e o Bayern de Munique favoreceu Terry. Aquele tipo de formação diminuiu a necessidade do zagueiro de utilizar seus atributos físicos, que vêm se mostrando cada vez menos presentes agora que o Chelsea não joga mais daquela maneira. Por incrível que pareça, os dias de Terry no time titular parecem estar contados.

Terry, obviamente, se mantém como o maior líder do grupo, mas escolher Gary Cahill para substituí-lo daria ao Chelsea a possibilidade de avançar mais dentro do campo, facilitando o trabalho do ataque. Ao mesmo tempo, Cahill oferece uma melhor cobertura quando David Luiz decide se lançar ao ataque.

Em comparação a Terry, Lampard possui mais chances de jogar, tendo mais ou menos o mesmo papel que Paul Scholes tem no Manchester United. Com experiência e técnica, Frank pode servir de exemplo para os jovens, e pode ser decisivo em jogos importantes.

Para o Chelsea continuar mudando e crescendo, mudanças devem ser feitas. Ícones como Drogba e Essien já foram embora. Talvez agora seja o momento para Lampard e Terry seguirem o mesmo caminho, tendo em vista o sucesso do clube.

Bruno Pizarro