Marina Granovskaia, a dama de ferro por trás do Chelsea

Desacostumada a figurar em páginas de jornais e frente aos holofotes, Marina Granovskaia tem por hábito a discrição. Ocupando a posição de diretora executiva do Chelsea Football Club desde junho de 2013, a russa de nacionalidade canadense costuma ser extremamente reservada. Não gosta de dar entrevistas, evita eventos públicos e possuí pouquíssimas fotos e informações divulgadas na internet.

A saída do diretor técnico Michael Emenalo na última semana, no entanto, fez com que o nome de Granovskaia tomasse a atenção do público e das grandes mídias. Isso porque, como diretora executiva, Marina era a superior a quem o ex-atleta nigeriano deveria dirigir-se para tratar da negociação de jogadores, algo com que Emenalo não estava acostumado – e, claramente, foi apontado como um dos possíveis fatores para sua saída.

Na hierarquia do clube londrino, Marina Granovskaia responde somente à Roman Abramovich – proprietário do clube -, o que lhe garantiu desde que assumiu seu posto o status de mulher mais poderosa do futebol mundial. Implacável na negociação de atletas e brilhante em sua função, a diretora executiva do Chelsea foi a responsável por grandes viradas dentro do clube desde sua nomeação.

Com o início da Era Abramovich marcado por loucuras financeiras, onde se gastava muito e se faturava pouco, Marina se tornou a maior responsável pela inversão deste ciclo. Pregando a política de vender caro para comprar barato, a russa ajudou a elevar o status do Chelsea de ‘brinquedo’ de um magnata para um clube capaz de bancar suas negociações com o lucro proveniente dos direitos de imagem, venda de ingressos e, principalmente, da venda de jogadores que geralmente não faziam parte dos planos dos treinadores.

No que diz respeito à transferência de jogadores, Marina é a principal autoridade no clube, trabalhando sob a total confiança de Abramovich

Granovskaia foi também a maior responsável pelo retorno de José Mourinho à Stamford Brigde, em 2013. Mesmo com a resistência de Abramovich para readmitir o técnico português após os desentendimentos que levaram a sua demissão cinco anos antes, Marina convenceu o dono do clube a trazer Mourinho de volta, mas com condições diferentes das de sua última passagem. Desta vez, o treinador não teria orçamento ilimitado. Todas as contratações desejadas por José Mourinho passariam pela avaliação da diretora, que avaliaria se os termos financeiros valiam a pena.

Além da racionalidade com os números, a experiência de Marina nos Blues é marcada pela inteligência nas negociações. Em sua busca por sempre fechar o melhor contrato possível, a diretora executiva do clube já tirou jogadores valiosos de seus rivais.

Foi assim que William e Pedro chegaram à equipe londrina. Enquanto, no primeiro caso, a habilidade da mulher de confiança de Abramovich ajudou a atravessar as negociações do brasileiro com o Tottenham para trazê-lo a pedido de Mourinho; no segundo, Marina usou o poder de influência do português junto a amizade que o atacante tinha com Cesc Fàbregas para convencer o atual camisa 11 a não ir para o Manchester United, e sim fechar acordo com o Chelsea.

É inquestionável o tamanho da responsabilidade que Marina Granovskaia carrega dentro de um dos maiores clubes da Europa, e obviamente esta não foi depositada cegamente na diretora por Abramovich. A oportunidade de trabalhar com o magnata russo surgiu, na verdade, em condições bem diferentes das atuais.

Formada em 1997 pela Universidade Estatal de Moscou, Marina começou a trabalhar no mesmo ano na Sibneft, empresa petrolífera que pertencia ao magnata russo. Atuou como consultora sênior durante boa parte de sua carreira, até a aquisição do Chelsea por Abramovich em 2003.

No mesmo ano, Marina se mudou para Londres, e a partir de 2010 passou a atuar como representante do proprietário do clube e membro do conselho. Atuando como o braço direito de Abramovich em tudo o que dizia respeito ao Chelsea, a diretora sempre foi vista como encantadora e educada, mas também muito firme em suas decisões.

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Article by: Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. Nunca superou o gol do Torres no Camp Nou.