Chelsea x Seleção Brasileira: as duas faces de Willian

No atual elenco do Chelsea, podemos considerar Willian um dos jogadores mais estáveis em nível de qualidade. Durante as cinco temporadas que já atuou como meia no time, não teve uma em que ele não assumiu um papel decisivo. Essa pode ser a primeira. Apesar de ter sido capitão da Seleção Brasileira no amistoso contra o Japão e compor o grupo de atletas já garantidos para a Copa do Mundo 2018, o jogador não é mais titular dos Blues.

Mas isso não é porque falta qualidade técnica. Na seleção, o sistema de Tite quando o Brasil não está vencendo é deixar Philippe Coutinho no meio, Willian e Neymar abertos, e Gabriel Jesus na frente. Espera-se que essa formação resolva o jogo e faça pelo menos um gol. No Chelsea, Antonio Conte antes montava o time com Kanté no meio, Willian e Hazard abertos, e Diego Costa na frente. Dava certo, e era onde o brasileiro conseguia se destacar por ser um meia que atua como ponta direita – ou seja, atacava pelo lado do campo.

Agora a formação é outra. No 3-5-2, as laterais ficam sob responsabilidade de jogadores mais defensivos, enquanto a linha ofensiva do time começa pelo meio. Willian não é um jogador da defesa, e temos opções de laterais. Ou seja, nas mudanças de Conte, Willian sobrou. Esse é um ponto importante sobre o Chelsea: são vários jogadores de boa qualidade, então estar no banco nem sempre significa ser ruim, mas sim o técnico ter opções melhores para o esquema tático que deseja adotar.

Esquema tático do último jogo contra o Manchester United ilustra a falta de espaço para Willian (foto: wyscouts)

Apesar de ter entrado em campo quase a mesma quantidade de minutos – proporcionalmente – na Seleção e no Chelsea, Willian ainda não fez gols na Premier League, enquanto que nos jogos classificatórios para a Copa, acertou a rede quatro vezes. É difícil apontar um motivo para isso, mas certamente a formação tática influencia.

Na seleção, o jogador possui um papel mais ofensivo, sua função é trabalhar a bola do meio do campo junto com os companheiros em busca do gol. Já na Premier League, apesar da média de 23 passes por jogo, os dados mostram uma atuação bem maior ajudando o setor defensivo do time. Ou seja, em vez de criar jogadas, o objetivo parece ser desarmar o adversário e tentar reverter a posse de bola antes dela chegar aos zagueiros.

Tite ainda não confia em todos os jogadores, alguns são um teste. E é por isso que o grupo dos firmados em convocações sempre entra para definir a partida, e depois acontecem as trocas de teste – ou não, dependendo do andamento do jogo. Willian tem a confiança do treinador e, no contexto da canarinha, não há motivos para tirá-lo do que vêm dando certo.

No caso dos Blues, as coisas estão bem medianas e pedem por mudanças. Conte precisa arriscar em novas combinações, explorar as habilidades individuais de cada jogador, tentar inovar para colocar o time de volta aos eixos.

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Article by: Asnate Souza

Estudante de Relações Internacionais na USP, e atleta universitária de futsal e futebol americano. Na horas livres, estou assistindo jogos.