(Foto: Cahê Mota/globoesporte.com)

Chelsea Brasil entrevista Rick Glanvill, historiador oficial do Chelsea

(Foto: Cahê Mota/globoesporte.com)
Criador e criatura (Foto: Cahê Mota/globoesporte.com)

O Chelsea Brasil entrevistou o historiador oficial do Chelsea Football Club, Rick Glanvill. O bate-papo via e-mail abordou opiniões, curiosidades e contos neste relacionamento que os brasileiros têm com o Chelsea.

Perguntado sobre o maior rival do oeste londrino, a resposta dada pelo historiador pode ser surpresa para muitos torcedores brasileiros. Tópicos como o sensacional time dos anos 70 e a chegada de Abramovich foram pontuados por Glanvill.

Chelsea Brasil: Quando você começou a trabalhar para o Chelsea?

Rick Glanvill: Venho escrevendo para o clube desde 1993 e fui apontado como historiador oficial do Chelsea após produzir os livros do centenário do clube: ‘Chelsea FC: The Official Biography’ e ‘Chelsea FC: The History In Pictures’, em 2006.

Chelsea Brasil: Rick, o que você pode nos dizer sobre o envolvimento do Chelsea com o Brasil?

Rick Glanvill: Primeiramente, e mais interessante, o Chelsea foi o primeiro clube inglês – profissional que jogou uma partida em São Paulo. O embate fez parte de um torneio de verão de três meses em 1929, no qual os Pensioners atuaram na Argentina, Uruguai (um jogo) e quatro partidas no Brasil. O diretor do Chelsea, na época, Charles Crisp, ao chegar na Inglaterra, afirmou que o Brasil é o mais brilhante país da América Latina. O dirigente fez menções positivas ao Rio de Janeiro.

Embora o Chelsea tenha atuado contra o Santos nos anos 70 e vários amistosos tenham sido marcados contra os times brasileiros, demorou muito para o clube contratar jogadores do Brasil. Quando fizemos pela primeira vez não foi um “samba star” de verdade. Emerson Thomé, por exemplo. E até mesmo, Alex.

Os ingleses amam o jeito brasileiro de atuar, por isso temos orgulho da vinda de Deco, David Luiz, Oscar, Lucas Piazon e Filipe Luis. (David) Luiz, por exemplo, fez parte da mais famosa noite de nossa história, a final da Champions League em 2012. É maravilhoso que tenhamos tantos fãs na América do Sul recentemente.

Fàbregas já foi alvo do aipo (Foto: BBC)
Fàbregas já foi alvo do aipo (Foto: BBC)

Chelsea Brasil: Qual é a história por trás do celery (aipo)? Você acredita que os torcedores ressentem o episódio com Cesc Fàbregas na Copa da Liga Inglesa em 2007? Você sente falta ou crê que é melhor sem o “celery”?

Rick Glanvill: A história do aipo começou nos anos 80, como uma piada, e pegou. Essa história gerou até um cântico entre os torcedores do Chelsea. A cultura do futebol era desse modo naquela época: inventivo e menos restrito. Entretanto há várias coisas que são melhores nos estádios hoje em dia.

Seria engraçado se Fàbregas fosse apresentado no Chelsea com aipos, mas não se preocupe: o aipo ainda segue por aí, especialmente na Europa.

Chelsea Brasil: Quem é – históricamente – o maior rival do Chelsea no Oeste de Londres? E no geral?

Rick Glanvill: O rival do oeste de Londres mais “detestado” é o Queens Park Rangers. Mas a rivalidade não pode ser comparada com Arsenal, Tottenham, Leeds United e, mais recentemente, Liverpool. Chelsea x Arsenal é clássico mais antigo dos Blues, (desde 1907/08) já que o nascimento do Chelsea é em 1905. Mesmo recente, o jogo entre as equipes se tornou rapidamente uma atração, já que na época, os clubes eram os únicos clubes londrinos na mesma divisão.

A situação permaneceu até os anos 30, quando os Gunners começaram a vencer o Campeonato Inglês com regularidade, enquanto o Chelsea contava com grandes jogadores, mas não levantava canecos.

Arsenal se tornou o grande de Londres antes da Grande Guerra, já Tottenham e Chelsea brigavam por um espaço (e os torcedores brigavam entre eles). O Leeds apareceu como adversário na década de 60, especialmente na semifinal da FA Cup de 1967 e na final do mesmo torneio em 1970. Os times eram completamente adversos: O Chelsea era glamuroso e ofensivo, já o Leeds defensivo e sisudo.

Nos anos 2000, Liverpool e Chelsea atuaram em inúmeras partidas de grande relevância. Há uma frase inglesa que diz: “Familiaridade gera desprezo”. Isso resume tudo.

Peter Osgood (esquerda), um dos ídolos dos Blues (Foto: Daily Mail)
Peter Osgood (esquerda), um dos ídolos dos Blues (Foto: Daily Mail)

Chelsea Brasil: Fale um pouco mais sobre o time do Chelsea nos anos 70. O selecionado que nos deu o primeiro título internacional.

Rick Glanvill: Eles eram individualmente brilhantes. Coloque juntos Tommy Docherty e seu sucessor, Dave Sexton, em um tempo que Londres como um todo era uma revolução. Seja em nossa juventude, como nas artes. O Chelsea era um time de playboys – Charlie Cooke, Peter Osgood, Alan Hudson – e em um dia positivo, poderiam ganhar de qualquer clube do mundo. – Man Utd ou Real Madrid – e iriam depois para uma boate, celebrar com os torcedores.

Claro que com mais disciplina, talvez eles poderiam ter ganhado o Campeonato Nacional, que sempre escapou deles. Mas, possivelmente, isso perderia o carinho que os torcedores têm por estes atletas.

Chelsea Brasil: Sobre o apoio dos torcedores antes da Era Abramovich. Quão popular era o Chelsea no Reino Unido e quanto você pensa que tornar o clube uma marca mundial contribuiu para o aumento de torcedores?

Rick Glanvill: O Chelsea era um sucesso instantâneo. Foi o primeiro clube a quebrar a marca de 30 mil, 40 mil pessoas por jogo em casa nos 25 anos iniciais. Fomos a maior atração da Inglaterra e do mundo, provavelmente, por oito vezes.

Existe uma fascinação por esse clube que nasceu do nada, entretanto, com a ambição de um grande estádio e uma parte de Londres que contava com um nome icônico. Desde o começo eles sempre queriam comprar jogadores que iriam impressionar a multidão: creio que o Chelsea tem isso como característica.

Chelsea Brasil: Fale sobre algum canto ou música que é tradicionalmente cantada no Stamford Bridge.

Rick Glanvill: Uma música que os brasileiros podem achar interessante é um rock jamaicano do final dos anos 60. Ele é tocado ao término das partidas em Stamford Bridge por décadas, se chama “Liquidator” do Harry J All-Stars. Os torcedores batem palmas junto com o refrão antes de gritar “CHEL-SEA”.

Chelsea Brasil: O que é imutável sobre o Chelsea mesmo com o passar dos anos?

Rick Glanvill: O romance, o glamour e o estilo encapsulado no nome Chelsea.

Chelsea Brasil: Na sua opinião, qual é o melhor time do Chelsea de todos os tempos?

Rick Glanvill: Cech, Petrescu, Terry, Leboeuf, Ashley Cole e Pat Nevin; Frank Lampard, Charlie Cookie, Gianfranco Zola; Drogba e Jimmy Greaves. Pergunte-me amanhã e possivelmente darei um time diferente.

Post produzido por: Bárbara Cavalcanti e João Vitor Marcondes

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