As semelhanças entre Chelsea, bairro de Londres, e os Blues

O bairro Chelsea é conhecido por ter o metro quadrado mais caro de Londres. É a casa de pessoas como Kate Middleton – Duquesa de Cambridge – o cantor Elton John e a escritora J. K. Rowling. Nas ruas estão casas Victorianas, carros milionários, e pessoas bem vestidas circulando. Nesse ambiente surgiu o Chelsea FC, em 1905, atualmente o oitavo time mais rico do mundo e com os torcedores mais ricos em média salarial da Premier League. Até hoje, vários elementos característicos do bairro também estão presentes nos azuis de Londres.

O clima de luxo e design relativo ao período de reinado de Vitória da Inglaterra (1837 a 1901) são característicos do bairro [Foto: G1]

Arquitetura

Os tijolos vermelhos aparentes, grades de ferro e itens de decoração luxuosos são bem característicos do clima de Chelsea, e o plano de reforma para a Stamford Bridge evidencia esses itens, numa tentativa de tornar o estádio mais contemporâneo, porém harmônico com o seu redor. O projeto é assinado pelo escritório responsável pelas duas arenas mais bonitas do mundo: O Allianz Arena, do Bayern de Munique, e o Ninho de Pássaro, em Pequim. Atualmente, o estádio tem características de uma construção contemporânea, com foco para acabamentos arredondados, vidros espelhados e o aço aparente.

Um fato curioso é que a casa dos Blues na verdade não fica no distrito de Kensington e Chelsea. A avenida do estádio pertence a Hammersmith e Fulham, bairro do lado, e com o terceiro metro quadrado mais caro do país. É lá que moram a maior parte dos jogadores. Inicialmente, o estádio era usado para competições de Atletismo, mas depois foi vendido aos irmãos Mears, fundadores do time.

O time já possui autorização para começar a reforma, prevista em 500 milhões de libras (Foto: divulgação)

Dinheiro

É preciso muito dinheiro para bancar o melhor que Chelsea pode oferecer, e essa frase cabe tanto ao time, quanto ao bairro. A rua principal do local é cheia de lojas de grife e restaurantes renomados; já os Blues têm muito a agradecer pelo investimento de Roman Abramovich. O russo comprou o time por 100 milhões de libras em 2003, e foi o pioneiro entre grandes bilionários a comprar times de futebol – algo comum na NFL, por exemplo.

Em nove temporadas após a compra, os Blues levantaram 13 troféus (três ingleses, quatro Copas da Inglaterra, duas Copas da Liga, duas Supercopas Inglesas, a Liga dos Campeões da Europa e a Liga Europa), enquanto Abramovich desembolsou mais de dois bilhões de libras entre reforços, salários, investimentos estruturais e rescisões de contratos.

Segundo Rick Glanvill, historiador oficial do clube, “Não estávamos nada bem em 2003. O dinheiro era curtíssimo e provavelmente teríamos que nos desfazer de um bom elenco para sanar dívidas. Se olharmos para o que tínhamos e o que temos hoje… Sinceramente, se Mister Abramovich resolver ir embora, já vai ter deixado muito, mas muito mais do que tínhamos uma década atrás. Hoje somos um clube sensacional.”

Terry e Lampard comemoram título inglês de 2005 com Roman Abramovich (Foto: Reuters)

Elitismo

Nem tudo são flores em Chelsea. A torcida londrina é claramente elitista, e isso transparece de formas bastante controversas. Segundo um relatório da política britânica, os azuis de Londres lideram o ranking de casos de racismo envolvendo torcedores ingleses.

Em 2015, um homem negro foi impedido de entrar num metrô em Paris por fãs do Chelsea antes do jogo contra o PSG, e ainda cantaram “We’re racist, we’re racist, and that’s the way we like it [Nós somos racistas, nós somos racistas, e essa é a forma que gostamos].” O momento da ação foi gravado e os quatro envolvidos no incidente estão sendo investigados, mas só o fato de haver um canto com conotação racista já é digno de preocupação.

Asnate Souza

Estudante de Relações Internacionais na USP, e atleta universitária de futsal e futebol americano. Na horas livres, estou assistindo jogos.