Quatro lições e uma dúvida que ficam após Chelsea 2×0 Everton

A Premier League 2017-18 não começou da maneira que os torcedores do Chelsea desejavam. No entanto, após uma decepcionante primeira partida contra o Burnley, a recuperação parece ter chegado a galope. E se na segunda rodada contra o Tottenham ainda vimos um Chelsea nervoso e cometendo erros apesar do triunfo, na vitória por 2 a 0 contra o Everton a torcida finalmente pôde respirar aliviada.

A partida foi tranquila, com atuação segura da maioria dos jogadores e uma postura tática que certamente agradou o treinador Antonio Conte, que à beira do gramado viu novamente a solidez demonstrada pela equipe que levantou a taça da Premier League na temporada passada. Mas ainda há um longo caminho pela frente, e a partida de hoje nos deixa algumas lições (e uma dúvida) que podem ser aproveitadas. Afinal, defender o título inglês e buscar voos maiores na UEFA Champions League nunca é tarefa fácil.

1 – Willian em boa forma pode ser muito útil

Willian disputa jogada com os adversários: cena se repetiu muitas vezes no confronto contra o Everton (Foto: Sky Sports)

Willian foi escolhido pelo Chelsea como melhor jogador da temporada 2015-16, apesar das decepcionantes campanhas feitas pelo clube londrino. Entretanto, na temporada seguinte, Willian viveu uma tragédia pessoal ao perder sua mãe para uma longa batalha contra o câncer, o que o afastou de algumas partidas e certamente abalou seu psicológico e o prejudicou na busca pela melhor forma. Com isso, o brasileiro não conseguiu repetir as boas atuações e viu seu espaço na equipe diminuir, com Eden Hazard e Pedro sendo as opções ofensivas favoritas do treinador Antonio Conte.

Neste início de temporada, Willian vinha sendo muito criticado pela imprensa e por parte da torcida, por suas atuações abaixo da média e dificuldades em tomar decisões rápidas, parecendo estar em uma sintonia diferente do restante da equipe. Porém, na partida contra o Everton, viu-se uma grata surpresa em campo. O camisa 22 conseguiu ser dinâmico e criar boas chances para a equipe, contribuindo para o domínio azul e sendo um dos melhores em campo. É sempre bom poder contar com reforços, e melhor ainda se o reforço vem de dentro e se trata de um jogador que já provou do que é capaz.

2 – Chelsea tem se dado bem com espanhóis

Trio espanhol comemora mais um gol

Muito se comenta sobre a dificuldade do Chelsea e de muitos outros clubes ingleses em encontrar jogadores nascidos na ilha que possam desempenhar papéis importantes em suas equipes. Entretanto, o Chelsea parece ter encontrado na Espanha uma fonte de confiança para o elenco. Na semana anterior, Marcos Alonso foi importante ao guardar dois e decidir o clássico. Contra o Everton, Álvaro Morata e Cesc Fàbregas foram às redes contando com assistências de César Azpilicueta e do próprio Morata, além de boa atuação de Pedro, que começa a voltar á equipe titular. A confiança nos espanhóis é tanta que Cesar Azpilicueta foi o escolhido como vice capitão, e usou a braçadeira mais uma vez em nova ausência de Gary Cahill. A seleção espanhola pode vestir vermelho, mas eles parecem muito mais confortáveis em azul.

3 – Habemus zaga!

Que o Chelsea tem vocação para montar grandes defesas não é novidade para ninguém. Já vimos John Terry, Ricardo Carvalho, Branislav Ivanovic e muitos outros grandes defensores sendo pilares de equipes sólidas e vitoriosas. E apesar dos nomes menos glamourosos da atualidade, a equipe de Londres tem conseguido ser efetiva em seu novo esquema com três defensores, provando seu valor diante de situações complicadas.

Além dos nomes já consolidados, os reforços parecem entregar o que foi prometido. Contra o Tottenham, vimos o jovem Andreas Christensen (vindo de boa temporada por empréstimo na Bundesliga) ter uma atuação boa e segura, apesar dos momentos em que a inexperiência ficava clara. Além dele, o beque alemão Antonio Rüdiger também vem somando ótimos números. Apesar do valor de 34 milhões de libras ter sido muito criticado, vimos que o ex-atleta da Roma conseguiu suprir bem a falta de Cahill nesses jogos de suspensão. A janela de transferências pode não ter sido um mar de rosas, mas, pelo menos na zaga, o Chelsea parece estar bem servido.

4 – Não é fácil ser Antonio Conte 

Vibração e tática são as marcas do poderoso chefão (Foto: Chelsea FC)

Antes mesmo da partida contra o Everton começar, um detalhe interessante já podia ser observado. O treinador dos Toffees, Ronald Koeman, ia jogar contra o Chelsea utilizando um esquema de três defensores. O holandês foi mais um a tentar utilizar o veneno de Conte contra ele mesmo, e também foi mais um a fracassar.

A equipe do Everton passou a maior parte do jogo totalmente perdida em campo, sem conseguir se impor taticamente e tentando jogar de uma maneira que não tem sido usual – tudo isso para tentar anular o esquema de Conte. A equipe de Koeman só conseguiu ser minimamente coesa em campo no fim da partida, quando o treinador voltou a jogar num esquema que já estão acostumados. Utilizar três defensores na Premier League continua sendo muito difícil, e o italiano merece muito respeito por conseguir ser tão efetivo.

E uma dúvida: Morata 

Mais um gol, mais uma assistência, um pouco mais de confiança (Foto: Chelsea FC)

Morata chegou ao Chelsea com as costas carregadas de tarefas difíceis: ser o principal goleador de uma equipe com grandes pretensões e fazer a torcida esquecer o nome de Diego Costa. Até poderia ser mais fácil se o espanhol não tivesse chegado trazendo tanta desconfiança e questionamentos. E não é para menos, o espanhol vindo do Real Madrid custou 58 milhões de libras e se tornou a contratação mais cara da história do clube (embora isso não signifique muito no mercado atual), superando até mesmo o compatriota espanhol Fernando Torres. Mas diferente do El Niño, o novo camisa 9 já vai mostrando seu valor.

A pressão de ser o comandante do ataque não parece ter incomodado tanto assim, e Morata já vai somando bons números. Entrando no segundo tempo contra o Burnley, foram um gol e uma assistência. Contra o Everton, repetiu a dose. Em apenas 105 minutos, já eram dois gols e duas assistências. É difícil cravar que já deu certo e que vai ser o atacante dos sonhos, mas ganhar confiança com gols, boas atuações e acima de tudo demonstrar qualidade é o mais importante. Ainda há um longo caminho pela frente se Morata quiser conquistar a confiança de todos e justificar o valor pago, mas Álvaro tem demonstrado que, no mínimo, não merecia tanta desconfiança. A expectativa é que na UEFA Champions League, onde o camisa 9 ama ser efetivo, o espanhol possa ajudar o Chelsea a ser importante no cenário continental.

Category: Competições

Tags:

Article by: Leonardo Freitas