Schürrle: ‘A preferência tática de Mourinho se encaixa perfeitamente no meu estilo’

Schürrle em treinamento hoje, em Cobham, antes do embarque para a Alemanha (Foto: AP)

Schürrle em treinamento hoje, em Cobham, antes do embarque para a Alemanha (Foto: AP)

O meia-atacante André Schürrle concedeu entrevista ao site oficial da Bundesliga nessa segunda-feira, na véspera do jogo contra o Schalke 04. O alemão falou sobre a adaptação ao futebol inglês, o trabalho com José Mourinho e como ele se encaixa no estilo do português. Schürrle treinou normalmente entre os jogadores na manhã dessa segunda-feira e viajou com o time para a Alemanha, estando à disposição do técnico para a partida de amanhã.

O camisa #14 dos Blues jogou na Bundesliga até a temporada passada, defendendo o Mainz no começo da carreira e mais recentemente o Bayer Leverkusen e conhece bem o estilo alemão. Schürrle já enfrentou o Schalke inúmeras vezes em sua carreira e isso pode ser uma diferencial para ele em relação aos jogadores que disputam vaga na ala direita dos Blues, já que a tendência é que Mourinho mantenha Oscar e Hazard – que marcaram gols no fim de semana – no meio e na ala esquerda. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Bundesliga.com: André Schürrle, nesse verão você se transferiu do Bayer 04 Leverkusen para o Chelsea FC, quão difícil está sendo para se adaptar?

André Schürrle: Eu me adaptei a Londres bem rápido e encontrei pessoas que já vivem lá há muito tempo. Michael Ballack me mostrou algumas coisas e eu me apaixonei pela cidade. O time também facilitou bem as coisas para mim.

BC: Mesut Özil, Per Mertesacker e Lukas Podolski jogam pelos rivais do derby da cidade – o Arsenal. Você tem bastante contato com os seus companheiros de seleção?

AS: Eu moro na zona oeste de Londres e eles moram na zona norte e é uma distancia considerável. Nós ainda não nos encontramos, mas tenho certeza que mais cedo ou mais tarde vamos sair para comer ou fazer alguma coisa.

BC: Mourinho é considerado como ‘The Special One [O Especial]’ entre os treinadores da atualidade, como tem sido a sua experiência com ele?

AS: Ele é, sem dúvida, um dos melhores treinadores do mundo e já ganhou muita coisa. Para mim tem sido uma honra ser treinado por ele, pois ele se doa muito pelo time e a vasta experiência dele é palpável. Eu também sei que ele gosta de mim e aposta no meu jogo.

BC: Mourinho também é conhecido por praticar um estilo de futebol que faz transições muito rápidas [do ataque para a defesa]. O que você acha dessa tática?

AS: É exatamente assim que eu jogo: em contra-ataque, partindo para cima em velocidade. [A preferência tática de Mourinho] se encaixa perfeitamente no meu estilo.

BC: Você chegou a um time novo, cheio de jogadores já renomados, e isso pode se apresentar como um risco para jogadores jovens como você. Em algum momento você temeu que fosse ficar apenas no banco e que isso levasse você a ficar de fora da Copa do Mundo no Brasil?

AS: Isso não passou pela minha cabeça. Eu estava completamente convicto de que essa era a melhor escolha para mim. Todos os dias nos treinamentos eu estou sendo pressionado a jogar cada vez melhor por causa dos jogadores de qualidade que temos no elenco. Isso acaba me beneficiando e creio que em longo prazo isso terá um efeito positivo para mim na seleção.

BC: Você começou como titular em quatro partidas e entrou no decorrer do jogo em outras três, onde você se vê no elenco nesse momento?

AS: Em um ótimo lugar. Nós temos inúmeras opções para as posições de ataque no time e o treinador gosta bastante de fazer rodízio entre nós, mas eu sinto que as coisas estão indo bem. Eu sinto que os jogadores confiam em mim, principalmente os mais velhos que já estão no time há muito tempo.

BC: Você está agora com três meses de experiência jogando pela Premier League. Quão diferente é o futebol inglês da Bundesliga?

AS: Nos meus primeiros jogos eu senti que o estilo é mais robusto. Lá eles usam mais a força física do que aqui e você acaba tendo de ser mais agressivo porque você está enfrentando jogadores que são bem duros fisicamente.

BC: Mas você ainda mantém o seu jogo baseado em velocidade e dribles…

AS: Isso na verdade é bom para mim porque eu posso crescer como jogador. Eu faço muitos treinamentos físicos lá e isso se torna uma vantagem para um jogador ágil como eu aprender a ir para cima de jogadores tão fortes.

BC: Você vai encontrar rostos familiares na partida de terça-feira, contra o Schalke. Como você se sente voltando a um estádio da Bundesliga?

AS: Claro que é muito bom jogar na Alemanha novamente, o Schalke tem um grande estádio e torcedores fantásticos. Eu estarei jogando contra um dos meus melhores amigos no futebol, Adam Szalai, então será uma partida especial para mim. Além disso, isso significa muito para nós com relação ao que está em jogo para os clubes.

BC: O que você acha da temporada que o Schalke vem fazendo? Em quais jogadores você acha que você e seu time terão de ficar de olho?

AS: O Schalke tem um grande elenco, com jogadores muito fortes individualmente. Eles trouxeram Kevin-Prince Boateng nessa temporada e por ser um jogador de alto nível ele conduziu o time para um patamar mais alto. Mas nós também temos um elenco sensacional, com jogadores de muita qualidade, e por isso vamos entrar em campo acreditando que podemos ganhar.

BC: Você acha que o Schalke vai ficar atrás e jogar no contra-ataque?

AS: Nós somos um grande time, então eles tentarão fazer as coisas mais difíceis para nós porque eles estão jogando em casa.

BC: Dois clubes alemães já venceram a Champions League e na segunda rodada da edição desse ano, todos times da Alemanha saíram com a vitória. Os seus companheiros de clube ou a comissão técnica te perguntaram sobre o que tem feito a Bundesliga melhorar nos últimos anos?

AS: Os jogadores ingleses realmente mostraram interesse em saber como as coisas funcionam na Alemanha. John Terry, por exemplo, conversou comigo sobre esse assunto. Eles me perguntam sobre as categorias de base porque eles reconhecem que há muito jovens talentos, tanto na Bundesliga como na seleção alemã. Eu acho que os ingleses nos invejam um pouco nesse aspecto.

Bárbara Lira