Saída de Michael Emenalo evidencia clima de tensão nos bastidores do Chelsea

O Chelsea anunciou, nesta segunda-feira (06), o desligamento de Michael Emenalo do clube. O ex-atleta nigeriano fazia parte da direção dos Blues há 10 anos, atuando desde 2011 como diretor técnico da equipe londrina. Antes disso, Emenalo trabalhou como auxiliar técnico e scouting, posições em que conquistou a confiança de Roman Abramovich, que foi quem lhe ofereceu a posição mais importante de sua carreira.

A saída do diretor técnico contra a vontade de Abramovich, que ainda tentou fazer com que Emenalo permanecesse em Londres, evidencia o clima de tensão que se instalou no clube desde a última janela de transferência. Antonio Conte, que teve sua contratação defendida pelo nigeriano na temporada passada, não ficou muito satisfeito com a escassez de reforços apresentados pelos Blues – que ainda foi agravada pela rejeição de jogadores como Ross Barkley e Alex Oxlade-Chamberlain. O descontentamento do técnico italiano se estendeu até mesmo à Marina Granovskaia, diretora do clube e, em grande parte, responsável pela negociação e aquisição de jogadores.

O poder de decisão de Granovskaia sobre a compra e venda de atletas desde 2013 foi, inclusive, mais uma das razões apontadas pela mídia para o pedido de demissão de Emenalo, que segundo a imprensa inglesa já teria recebido proposta para assumir o mesmo cargo no Mônaco.

O desastre da última janela de transferência estremeceu a relação entre Conte e o diretor técnico, especialmente após as declarações de insatisfação do italiano

A responsabilidade sobre a negociação de jogadores, no entanto, não era a única função exercida pelo ex-diretor técnico dos Blues. Michael Emenalo tinha grande importância em diversos aspectos ligados ao gerenciamento da equipe principal do Chelsea e liderava as redes nacional e internacional de scouting do clube – o que significa observar jovens talentos e analisar suas habilidades, determinando se estes poderiam ser bons investimentos para o clube. Além disso, o ex-atleta ainda auxiliava a direção de programas oferecidos pela Academia do clube e também da rede internacional dos londrinos para administrar seus jogadores de base.

O fracasso do clube na janela de transferências do verão expôs uma grande deficiência por parte da diretoria em ‘proteger’ os jogadores de seu interesse durante as negociações. Com uma quantidade volumosa de negócios perdidos, o Chelsea conseguiu recrutar apenas seis atletas para reforçar seu elenco. As chegadas de Tiemoué Bakayoko, Álvaro Morata, Danny Drinkwater, Antonio Rüdiger, Davide Zappacosta e Willy Caballero não convenceram nem técnico e nem torcida, que ansiavam principalmente por peças ofensivas após o atrito entre Conte e Diego Costa, que acabou provocando a saída do artilheiro do clube.

História que não nasce em campo

Em 2007, foi chamado pelo treinador Avram Grant para atuar como seu auxiliar técnico no comando do Chelsea e, mesmo após a saída do comandante israelense, Emenalo permaneceu no clube. O nigeriano chegou a ocupar a posição de chefe do departamento de scouting dos Blues durante as passagens de Luiz Felipe Scolari, Ray Wilkins, Guus Hiddink e Carlo Ancelotti.

A convivência entre Roman Abramovich e o ex-jogador ao longo dos anos estabeleceu uma relação de muita confiança entre ambos, o que fez com que o magnata russo oferecesse a Emenalo, em julho de 2011, a posição de diretor técnico do Chelsea. Mantendo algumas das atribuições que já lhe cabiam anteriormente, o novo cargo fez com que o nigeriano obtivesse uma importante participação na negociação de jogadores, já que as contratações dependiam também de sua avaliação profissional.

Como auxiliar técnico e scouting, Emenalo atuou ao lado de lendas do Chelsea, como Ancelotti

O poder de decisão de Emenalo sobre as transações envolvendo atletas fez com que o diretor técnico quase deixasse o clube em 2013, quando José Mourinho negociava seu retorno a Londres. Com o desejo do técnico português de ter carta branca sobre as transferências, o diretor se propôs a deixar o cargo para que os Blues fechassem contrato com o ídolo que comandara a equipe na conquista de dois títulos da Premier League (2004-05 e 2005-06). Abramovich, no entanto, recusou a saída de seu homem de confiança, deixando claro para Mourinho que se desejasse voltar à Stamford Bridge, teria de aceitar trabalhar sob as decisões de Emenalo.

No mesmo ano porém, o russo nomeou sua compatriota Marina Granovskaia diretora do clube. Com plenos poderes para adquirir e se desfazer de atletas, a presença de Granovskaia acabou reduzindo o poder de Emenalo neste setor. Ainda assim, o diretor técnico prosseguiu no exercício de suas funções e, com o desenvolvimento da base, ajudou a ‘desconstruir’ a estigma de um clube usado apenas para a diversão de um magnata, já que atualmente os valores que circulam em suas negociações provem tanto do lucro com venda de direitos de transmissão e de ingressos, quanto da venda e empréstimo de atletas formados pelo Chelsea.

Desde a nomeação da atual diretora do clube, ambos trabalhavam em conjunto na realização de aquisições de novos atletas. Mas a chegada de Antonio Conte ao Chelsea na última temporada causou um certo desequilíbrio a este sistema. O italiano tem por hábito tratar diretamente com os jogadores que deseja suas transferências, mas não é possível concretizá-las sem a aprovação dos membros da equipe que cuida deste tipo de assunto. Tantas negociações paralelas organizadas de maneira individual acabaram causando uma série de falhas de comunicação durante a última janela de transferência – como foi o caso de Ross Barkley, que chegou a fazer exames médicos no clube, mas não fechou negócio por um não ter sido contatado por Conte -, resultando em um mercado fraco e cheio de falhas para os Blues.

Category: Chelsea Football Club

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Article by: Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. Nunca superou o gol do Torres no Camp Nou.