Morata: “Conte, torcida e clube estão até a morte comigo”

O atacante do Chelsea Álvaro Morata concedeu uma entrevista ao jornal El País na véspera de uma partida importante da Seleção Espanhola contra a Italiana, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo na Russia 2018 em Madrid, vencida por goleada (3-0) pelos donos da casa que se consolidaram na primeira colocação do grupo G. O atleta entrou aos 76 minutos de jogo, tabelou e marcou.

Na entrevista, mostrou confiança em seu futebol e na oportunidade de mostrar seu valor esportivo no azul de Londres. O camisa nove do Chelsea marcou dois gols, deu duas assistências em três jogos na Premier League e atingiu a marca histórica de ser o primeiro jogador nesta competição a fazer isso nas duas primeiras partidas dentro de casa, neste caso, em Stamford Bridge.

O atacante respondeu sobre o que deve fazer para ser titular na seleção.

“Primeiro, ser titular na minha equipe. Só assim terei mais possibilidades de que o mister se convença a me colocar como titular”.

Morata marca contra a Itália (Foto: AFP or Licensors)

Morata foi questionado sobre a falta de oportunidades em sua passagem na Juventus comandada pelo técnico Massimiliano Allegri, Real Madrid por Zinedine Zidani e na Seleção por Julen Lopetegui.

“O destino me deu outra oportunidade. É verdade que fiz algumas boas partidas, marquei gols que valeram pontos e classificações, mas não se pode esperar que um jogador marque gols importantes e faça partidas importantes de vez em quando. O futebol é regularidade. E agora me encontro em uma equipe que fez um esforço econômico enorme por um reserva no Real Madrid. Essa, no final de tudo, é a realidade. Me blindaram todo. Conte está até a morte comigo, a torcida está até a morte comigo e o clube está até a morte comigo. Por isso tenho que dar um golpe acima da mesa”.

Morata no cabeceio que consolidou seu primeiro gol pelo Chelsea (Foto: Getty Images)

“Eu estou feliz. Mas é um clube novo e uma cultura nova. Fiz dois gols e duas assistências em duas partidas. Tudo começa a rodar e todavia ainda não estou adaptado ao jogo. Não conheço bem os meus companheiros, salvo os espanhóis”.

O espanhol falou sobre o que falta para mostrar seu futebol e comparou o estilo de jogo da Juventus com o do Chelsea.

“Se me deixassem jogar cinco partidas seguidas. No (Real) Madrid, nunca joguei cinco partidas seguidas. Na Juve, jogávamos com dois atacantes, aqui somos três. É complicado porque venho do (Real) Madrid e da Seleção, onde se pode jogar com os espaços ou não, segundo a situação.

O Chelsea, taticamente, é italiano. Deve se moldar ao esquema. O dianteiro têm que estar sempre como ponto de referência para ajudar seus companheiros. Têm que lutar com os centrais e fisicamente eles são muito mais fortes que em qualquer outro país. É verdade que logo são desordenados taticamente e te oferecem a oportunidade de marcar gols porque se perdem, mas é outro futebol. Na Espanha, se têm tempo para pensar e segurar a bola. Aqui se segura a bola, te dão dois chutes”.

Papel do atacante

“A melhor das bolas não chegam à você como na Espanha, para jogar no um contra um; mas a que te chega, têm uma ocasião de gol, ou duas, ou três. Mas tudo é muito rápido. Não tem tempo para pensar. Tem que joga-lá. As pessoas pegam, algumas vezes vão a frente, outras vezes entram por toda a área. Por isso a Premier (League) é uma das ligas mais atrativas de se ver”.

Morata comemora gol em Stamford Bridge (Foto: Gett Images/Darren Walsh)

“A diferença é que o jogo do Chelsea se baseia em mim. Quando jogamos com três à frente, muitas vezes enfrentamos rivais que defendem com uma linha de três, como na Itália. O central me segue e os outros dois vão um contra um com um extremos, Willian ou Pedro”.

Morata explica as diferenças até de como os companheiros jogam e o vêem como o atacante no jogo.

“Estou aprendendo os movimento e as táticas do Chelsea, chego aqui e outra vez tenho que me acostumar a não ser o ponto de referência da equipe. Aqui, tocam a bola uma ou duas vezes por tempo, e tem que marcar. Isso sim: está com gente que toca muito bem a bola, que se move muito bem com a bola, e o centroavante é uma figura que está para segurar os centrais, para ocupar os espaços e marcar gols.

No Chelsea é importante como se valoriza o trabalho do ponta. É sistemático. Praticamente sem mirar, a equipe joga para você. Como fazia a Itália na Supercopa: a bola chega ao lateral, o lateral busca o nove de primeira e o nove têm que estar sempre à frente do primeiro zagueiro, do lado da bola, para jogar e ir, e buscar a área. Mas uma vez que fez isso, eu seguro a bola ou ganho de costas para o central, ou se Pedro é o extremo que vêm de frente, leva a bola e eu giro… a partir daí, começa outra história. Conte sempre me disse que eu levo essa primeira bola e divido com a equipe rival, há uma ocasião quase certa. Em outro dia contra o Everton, Pedro e Willian tiveram dois chutes cada um em que a jogada chegou assim”.

Morata cabeceia e marca o segundo gol do Chelsea contra o Everton (Foto: News Group Newspapers LTD)

O adversário nas Eliminatórias ainda possui características do atual treinador do Chelsea, Morata explica.

“Esta Seleção da Itália permaneceu com a tática de Conte de 2016: um ponta vêm, outro vai, o primeiro se deixa passar e da a volta; o outro vai de frente e vão os dois para cima. Na teoria é um sistema muito fácil para o atacantes. Porque você está apoiado. Assim jogada eu com Tévez na Juve: ele vinha, o entregavam uma bola com força, ele o deixava passar, dava a volta e a jogar. Eu ia para a área pra arrematar. É uma dinâmica que se ajusta com o trabalho.

Muito trabalho tático e nada mais que isto. É bonito, porque as equipes na Premier (League) geralmente vão ao contato e caem por engano. Conte é um grande amante da tática”.

Category: Chelsea Football Club

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