Emenalo explica a filosofia de contratação do clube (parte 1)

Michael Emenalo e José Mourinho durante treinamento. (Foto: Chelsea FC)

Michael Emenalo e José Mourinho durante treinamento. (Foto: Chelsea FC)

O diretor de futebol do Chelsea, Michael Emenalo, é um dos principais responsáveis pelas contratações do clube a cada janela de transferências. No cargo há dois anos, Emenalo representa a mudança de filosofia na política de contratações dos Blues, alinhado com os objetivos do proprietário do clube, Roman Abramovich.

Além da mudança do perfil dos jogadores contratados, Emenalo também adotou a prática do empréstimo, até então praticamente reservada apenas aos garotos da base. Atualmente o Chelsea conta com um elenco de 26 jogadores e além deles, 28 jogadores emprestados a times dentro e fora da Inglaterra. Muitos desses empréstimos são jovens revelações que o clube apostou e a esperança é que a maiorias deles se tornem de fato realidade. Como 26 jogadores é até além dos 22 que Mourinho disse ser o tamanho ideal de um elenco, foi preciso ceder os jogadores a outras equipes para continuem o seu desenvolvimento e amadurecimento. E essa é uma das principais estratégias do clube hoje. Emenalo falou ao site do Chelsea sobre essa e outras ações do Chelsea e aponta para os objetivos de agora em diante.

A confiança em Mourinho

A primeira coisa a ser dita é que estamos muito felizes em ter José de volta ao clube. Ele toma decisões muito bem e é alguém cujas preferências nós confiamos baseado em tudo que ele já conquistou aqui. Ele chegou com ideias claras a respeito do que ele queria e a maioria delas ia de encontro ao que nós tínhamos em mente, então isso ajudou muito. Eu estou muito feliz com o elenco que montamos. Nem sempre você consegue exatamente o que quer, mas em geral nós estamos muito próximos [do que pretendiam],” Emenalo explicou, demonstrando que as decisões não são centralizadas nele, apesar dele ser o homem com a palavra final em termos de contratações no clube.

Nova filosofia de investir em jovens talentos

Tendo em vista as ambições do proprietário [Abramovich] e do clube e o desejo dele de que essas ambições sejam feitas a partir de investimentos, nós tentamos estabelecer um projeto [que tem objetivos] de curto e longo prazos e nós estamos satisfeitos com ele. [Segundo o site o projeto consiste em trazer jogadores que possam apresentar resultados imediatos no time principal e outros para o futuro, a fim de que o clube continue a crescer. Por exemplo, dos jogadores que se juntaram ao elenco nessa temporada, alguns deles já pertenciam ao Chelsea contratados em temporadas passadas, mas estavam emprestados a outros clubes onde continuaram seu desenvolvimento, voltando a Stamford Bridge prontos para ser parte do time principal. Além deles jogadores experientes como o goleiro australiano Mark Schwarzer e o atacante camaronês Samuel Eto’o também chegaram a Londres].

Nós estamos buscando ter continuidade em alto nível, com padrões ambiciosos. Assim quando contratamos um jogador mais experiente para compor o elenco nós esperamos que ele nos dê essa continuidade [passando sua experiência para os mais novos] e nós queremos ter a base ideal para fazer isso acontecer.

Categorias de base

Nós estamos contentes com os sistemas implantados nas categorias de base e no sub-21. Eles permitem aos atletas jogarem muitas partidas, pois a única maneira de desenvolver um jovem talento é dando chances para ele jogar. Quando eu cheguei ao Chelsea nós tínhamos aproximadamente 18 partidas por temporada para os jogadores da base, mas isso não é suficiente para preparar um garoto para o time principal e lutar por vagas no time ao lado de alguém como Frank Lampard que jogava 60 partidas por temporada ou Michael Essien que jogava 55.

Isso não dava certo e infelizmente acabou afetando o desenvolvimento de alguns dos nossos jogadores que subiram para o time principal e que jogaram muito pouco. No fim da temporada alguns deles tiveram um total de 16 jogos entre as partidas da base e do time de cima. Acabou sendo uma temporada perdida e eu creio que se na época esses jogadores tivessem tido a oportunidade que, por exemplo, Lewis Baker teve [na temporada passada] de jogar 35 partidas, talvez eles tivessem mais próximos do time principal do que estão agora.

Quando Nathan Aké teve uma chance de jogar no time principal na temporada passada ele não teve problemas com falta de ritmo [como cãibras]. O mesmo aconteceu com Ruben Loftus-Cheek e Andreas Christensen quando eles participaram dos amistosos contra o Manchester City nos Estados Unidos depois do fim da temporada. Isso só possível porque eles participaram de muitas partidas na categoria de base e estavam bem preparados fisicamente e por isso conseguiram suportar bem as partidas – que foram difíceis e intensas.

Quando a próxima leva de jogadores da categoria de base ou dos que foram emprestados a outros clubes chegarem ao time principal, eles estarão mais preparados do que estariam no passado. Além disso nós temos bons jovens talentos ingleses e estrangeiros em que nós estamos investindo e cremos que eles chegarão ao time principal para ficar.

Pré-temporada

Fizemos uma pré-temporada fantástica. O técnico foi incrível, com excelentes ideias que nós começamos a implantar com os jogadores desde o primeiro dia. Os jogadores responderam muito bem às mudanças e foi uma das melhores pré-temporadas do clube que eu testemunhei. Nós tivemos que viajar muito no decorrer dos jogos e nas primeiras partidas oficiais [da Premier League], contra o Hull City e o Aston Villa, nós sentimos um pouco a parte física porque tínhamos acabado de voltar da pré-temporada e alguns jogadores ainda tinham servido seus países depois de terminarem os nossos amistosos. Mas em termos de preparação, trabalho e convivência foi absolutamente maravilhoso e o nível de partidas que jogamos para nos preparar foi muito bom.

Bárbara Lira