Em meio a polêmicas, Conte pode aumentar lista de técnicos ‘derrubados’ pelo elenco

A saída de Michael Emenalo da direção técnica do Chelsea na última semana, somada ao desentendimento entre David Luiz e Antonio Conte, levantou uma questão que vai além dos ‘pequenos’ conflitos que despontaram nos bastidores do clube recentemente. Depois que o técnico italiano dispensou Diego Costa ao fim da última temporada após uma discussão, contrariando elenco e torcida, o clima dos Blues deixou de ser dos mais agradáveis.

Os recentes acontecimentos, no entanto, parecem ter se tornado a gota d’água para alguns adeptos do clube, que passaram a questionar se o ‘autoritarismo’ do treinador não seria um preço alto demais para assegurar sua permanência. Além disso, apesar das vitórias acumuladas pela Premier League, o Chelsea sofreu uma visível queda de rendimento nos últimos jogos, o que têm levantado a possibilidade de que o elenco dos Blues já não esteja mais tão satisfeito com os mandos e desmandos de Conte.

Levando em conta essa teoria, elencos que derrubaram treinadores não seriam uma novidade para a equipe de Londres. Desde que Roman Abramovich adquiriu o clube, especula-se que três de seus técnicos tenham sido demitidos graças ao grupo de jogadores insatisfeitos com sua forma de comandar.

Luiz Felipe Scolari

No comando do Chelsea por apenas sete meses, Felipão teve problemas com alguns de seus atletas e membros da comissão desde a Chegada a Londres (Foto: Getty Images)

Único técnico brasileiro a dirigir o Chelsea em toda a sua história, Luiz Felipe Scolari chegou ao clube em julho de 2008. Durante sua passagem, levou a equipe londrina a conquistar a marca histórica de 11 vitórias consecutivas fora de casa pela Premier League, superando o recorde estabelecido pelo Tottenham em 1960. No entanto, o desempenho como mandante deixava muito a desejar.

Mesmo brigando pelo título da temporada, uma serie de resultados considerados insatisfatórios pela diretoria do clube acabou levando à demissão de Felipão. A falta de reforços durante a janela de transferências de verão acabou sendo apontada como um dos fatores que prejudicaram o rendimento da equipe, mas os problemas de relacionamento do técnico com o elenco – especialmente com Didier Drogba, Nicolas Anelka e Michael Ballack -, foram decisivos para o insucesso do brasileiro.

Em fevereiro de 2009, Felipão foi desligado da comissão técnica dos Blues, com um aproveitamento de 63% em 36 partidas disputadas. Após sua saída, o técnico declarou em nota oficial que desejava sorte ao clube e lamentou que a convivência com todos não tivesse sido mais duradoura.

A demissão decretada por Abramovich acabou fazendo com que Ray Wilkins, até então auxiliar técnico do brasileiro, assumisse a posição, onde permaneceu por uma partida. Logo em seguida, Guus Hiddink foi contratado para dirigir o Chelsea.

André Villas Boas

Visto pela imprensa inglesa como ‘novo Mourinho’, Villas Boas nunca chegou a alcançar as expectativas, mantendo também uma relação frágil com as principais estrelas do elenco (Foto: Getty Images)

Com a promessa de se tornar o ‘novo José Mourinho’, André Villas Boas chegou ao Chelsea em julho de 2011, assinando um contrato de três anos com a clube. O jovem técnico, no entanto, não resistiu por muito tempo no cargo.

Após uma sequência de maus resultados frente aos Blues – sendo considerado o pior desempenho da Era Abramovich -, o Chelsea caiu para a quinta colocação da Premier League, perdendo qualquer chance de título e até mesmo a vaga para a Champions League na temporada seguinte. Não bastasse isso, o relacionamento entre o técnico português e as principais estrelas do elenco nunca foi das melhores.

Em março de 2012, Villas Boas foi demitido, sendo substituído pelo ex-auxiliar técnico Roberto Di Matteo até o fim da temporada. Na sequência, o Chelsea acabou conquistando o título da Uefa Champions League pela primeira vez em sua história, fazendo com que o até então interino permanecesse como técnico de forma definitiva.

José Mourinho

Saindo como ídolo do clube em sua primeira passagem, o retorno de José Mourinho não teve um desfecho tão ‘romântico’ em seu retorno à Stamford Bridge (Foto: Getty Images)

Ídolo da torcida dos Blues, José Mourinho não obteve tanto sucesso em sua segunda passagem pelo clube. Admitido em junho de 2013, o técnico português teve seu retorno à Stamford Bridge extremamente celebrado por toda torcida, e realizou grandes campanhas na Premier League e na Champions em sua primeira temporada – apesar de não ter conquistado nenhum título.

Em 2015, conquistou a Copa da Liga ao vencer o Tottenham por 2 a 0 na final e, de quebra, o título da Premier League. A excelente temporada, no entanto, foi nublada pela seguinte, quando uma péssima sequência de resultados levou o Chelsea a beirar a zona do rebaixamento. Com o relacionamento entre Mourinho e Abramovich já desgastado pela frequente insatisfação do técnico, que exigia cada vez mais reforços a preços elevados, o português acabou sendo demitido pela segunda vez em dezembro de 2015.

A rixa entre o mandatário russo e o trinador, no entanto, não foi o único fator decisivo para a saída de Mourinho. A insatisfação rotineira com seu elenco afetava de forma direta os jogadores, que passaram a desaprovar seu comportamento. Além disso, segundo a imprensa inglesa, Eden Hazard, Diego Costa, Matic e Azpilicueta teriam tido desentendimentos com o técnico ao longo de sua última temporada.

Mesmo com a longa lista de ‘inimizades’ feitas por Mourinho em sua segunda passagem pelo Chelsea, a situação mais icônica foi a de sua discussão com Eva Carneiro. Após um atrito entre ambas as partes, o técnico português teria feito uma série de ofensas à ex-médica do clube e, na sequencia, Eva foi demitida do clube sem qualquer tipo de explicação por parte dos Blues.

Seria Antonio Conte a próxima vítima?

Os recentes desentendimentos entre o técnico italiano e seus principais atletas tem levado parte da torcida a questionar sua permanência em Stamford Bridge (Foto: Chelsea FC)

Em sua primeira temporada como técnico da equipe londrina, Antonio Conte sagrou-se campeão da Premier League em uma campanha exemplar. Mas, mesmo exaltado por elenco e torcida após seu primeiro ano no Chelsea, o treinador italiano já teria colecionado uma série de pontos desfavoráveis à sua sequencia no cargo.

Após discutir com Diego Costa, artilheiro da equipe na temporada 2016/2017 e ídolo de uma torcida carente de figuras icônicas, Conte dispensou o atleta ao fim da temporada por mensagem, e antes de confirmar o desligamento do centroavante já havia o afastado do restante do elenco durante o campeonato.

Na sequência, houve o atrito interno envolvendo a considerada fraca janela de transferências no meio deste ano. Acostumado a negociar diretamente a contratação de atletas, Conte se irritou com a perda de alguns jogadores com os quais já tinha conversado pessoalmente – e também com a tentativa de trazer alguns com os quais não gostaria de contar.

O problema envolvendo as transferências é visto como um dos fatores que levaram ao desligamento de Michael Emenalo, que desde 2011 atuava como diretor técnico do clube. E, para completar, também na última semana, Conte e David Luiz se desentenderam após o zagueiro supostamente questionar algumas das ordens dadas pelo técnico italiano, que optou por afastá-lo do elenco. Seria o italiano a próxima queda motivada pelo elenco azul?

Category: Chelsea Football Club

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Article by: Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. Nunca superou o gol do Torres no Camp Nou.