Análise Tática: De um extremo a outro, o Chelsea da temporada 2014/2015

A temporada 2014/2015 foi bem proveitosa para o Chelsea de José Mourinho. Das quatro taças que disputou, o time do técnico português se saiu campeão em metade. Uma delas, a principal, foi ganha com sobras. Os Blues lideraram a Premier League praticamente de ponta a ponta e se sagraram campeões com três rodadas de antecedência, tendo o melhor jogador, o melhor técnico e seis atletas na seleção dos melhores do campeonato.

(Foto: Chelsea FC)
Com esquema semelhante ao da temporada anterior, Mourinho conduziu o Chelsea por uma boa campanha (Foto: Chelsea FC)

Durante a campanha, o time de Mourinho foi de um extremo a outro na forma de jogo. Por vezes, o 4-2-3-1 azul foi o time do pragmatismo habitual de seu técnico, do ônibus, da verticalidade, dos contragolpes excelentes e até do placar mínimo. Em outras oportunidades, foi a equipe da posse de bola, troca de passe, da pressão na saída de bola e controle do jogo.

Esquema predominante do Chelsea ao longo da temporada com Fàbregas iniciando o jogo e a linha de três meias muito veloz
Esquema predominante do Chelsea ao longo da temporada com Fàbregas iniciando o jogo e a linha de três meias muito veloz

Como no espetacular 6 a 3 sobre o Everton, em Liverpool, demonstrado na imagem acima. Ali, o Chelsea exemplificou muito bem o equilíbrio entre posse da bola e verticalidade. O time troca bolas na defesa e no meio da cancha até Fàbregas acertar um belo passe vertical para Diego Costa abrir o placar.

Como era de se imaginar, em mais uma temporada desgastante – como normalmente são as inglesas -, Mourinho precisou rodar o elenco e o português fez alguns testes: Insistiu com o destro Azpilicueta na lateral esquerda, utilizou Zouma como volante, usou o volante Ramires como ponta direita, escalou Fàbregas como meia-central, jogou algumas vezes com Diego Costa e Drogba no ataque e até testou Oscar como falso nove.

Mesmo com a chegada de Filipe Luís, Azpilicueta foi o dono da posição. O espanhol compunha bem o melhor sistema defensivo da primeira divisão inglesa composto ainda por Ivanovic, Cahill e Terry. Além disso, o defensor hispânico aparecia bem sempre que era solicitado no ataque. O lateral brasileiro chegou a atuar até como meia-esquerdo em determinado momento e se mostrou um bom batedor de falta. No entanto, Mourinho preferiu Azpi.

Na volância azul, o português sempre esteve bem servido. Matic e Fàbregas fizeram temporada exuberante. Não à toa, o sérvio foi líder de desarmes da Premier League e foi presença indiscutível na seleção do campeonato. Como substituto imediato do camisa 21, Mou tinha Mikel, mas o comandante azul utilizou o zagueiro Zouma naquela posição e o francês causou boa impressão.

Esquema com Zouma de primeiro volante, Matic mais solto e Oscar na faixa central
Esquema com Zouma de primeiro volante, Matic mais solto e Oscar na faixa central

A temporada forçou Mourinho a fazer determinadas substituições em vários setores do time. Na linha de três meias também foi assim. No início da temporada, o treinador tinha Hazard – craque do campeonato – Willian, Oscar, Schürrle, Salah, e depois teve Cuadrado. Além dos jogadores de origem na posição, o português ainda poderia usar outros por ali e assim ele fez. Em algumas oportunidades, Ramires, volante, foi meia direita. Função que não é estranha, já que o brasileiro já havia atuado por ali ainda quando Roberto Di Matteo comandava o elenco.

Fàbregas era outro que podia atuar em várias faixas do gramado. No Barcelona, o jogador espanhol chegou a revezar com Iniesta e flutuar pelo flanco esquerdo da cancha. No Chelsea, o dono da camisa 4 e da saída de bola azul foi o líder de assistências do campeonato com 19. Cesc foi também meia central, como um típico camisa 10 brasileiro.

Formação azul com Fàbregas de armador central da equipe
Formação azul com Fàbregas de armador central da equipe

Principal fazedor de gols do time azul com 20 tentos, Diego Costa foi destaque um dos principais destaques do time londrino na temporada. O hispano-brasileiro caiu como uma luva para o esquema de Mourinho. A movimentação e a raça do ‘governador’ foram cruciais para o Chelsea. Diego sai muito da área, tira o zagueiro de sua posição e abre espaço para Hazard, Oscar, Willian, Fàbregas e até Ivanovic chegar na área em condição de finalizar. O sergipano também atuou de acordo com as necessidades das partidas, por vezes, foi segundo atacante tendo Drogba como centroavante.

Mapa de movimentação dos centroavantes durante o segundo tempo
Mapa de movimentação de Balotelli e Diego Costa na vitória do Chelsea sobre os Reds, no Anfield Road

Por fim, a temporada foi camarada com Mourinho e forçou o treinador a fazer um teste inesperado. Sem seus comandantes de ataque, o Special One improvisou o brasileiro Oscar por ali, como falso nove. O meia possibilitou o time ter um ataque muito veloz, com contragolpes rápidos, além da intensa troca de passes curtos com Willian, Hazard e Fàbregas.

Mesmo com os fracassos na FA Cup e na Champions League, o fim de temporada do Chelsea foi animador e não só pelo título da Premier League, mas, sim, pela projeção da campanha seguinte. O time de Mourinho ainda precisa melhorar bastante em alguns pontos: na compactação da defesa, na recomposição, nas peças de reposição e nas variações táticas ao longo do jogo.

Apesar dos pontos a melhorar, o ótimo futebol do início de temporada e o trabalho consistente até o jogo contra o Crystal Palace, em Stamford Bridge, fazem este que vos escreve acreditar que o futuro será azul para o clube londrino. Afinal de contas, Blue is the colour, football is the game.

Category: Competições

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Article by: Cleisson Lima

Tio do Júlio César, Estagiário de Redação na Rádio Transamérica, e Chefe de Redação no Futebol das Gerais. O caminho é um só...