Pelo quarto ano seguido, a equipe sub-18 do Chelsea é campeã da FA Youth Cup. Mas o que vem a seguir?

Chegar as finais da FA Youth Cup tem sido quase uma rotina para a equipe sub-18 do Chelsea. Nos últimos dez anos, os Blues compareceram a última fase em oito oportunidades. A mais recente, na última quarta-feira (26), culminou em um triunfo sobre outro dos maiores clubes da Inglaterra, o Manchester City, pela terceira vez consecutiva. Com um placar agregado de 6 a 2, as promessas da equipe londrina chegam ao seu quarto título consecutivo e o oitavo de sua história.

Após o empate no primeiro jogo da final por 1 a 1 no Academy Stadium, casa das equipes feminina e de base do City, a vitória em Stamford Bridge era essencial para ambas as equipes. Mesmo tendo o domínio sobre a maior parte do tempo e pressionando os donos da casa, o Chelsea não conseguiu ampliar o placar, diante de uma eficiente linha de defesa montada pela equipe de Manchester, que viu na igualdade a oportunidade de surpreender seus adversários na partida da volta.

O confronto, no entanto, saiu completamente diferente do que os Citizens esperavam. Com gols de Trevoh Chalobah – irmão do meia Nathaniel Chalobah, que atua na equipe principal -, Ike Ugbo, Callum Hudson-Odoi, Dujon Sterling e Cole Dasilva, o Chelsea decretou sua vitória em casa por 5 a 1, garantindo seu terceiro título nos últimos três anos sobre o Manchester City.

Pela oitava vez na história, o Chelsea sagrou-se campeão da FA Youth Cup, tonando-se o segundo maior ganhador da competição (Foto: Chelsea FC)

Mas o que significa isso para o futuro dos Blues? Antes da chegada de Antonio Conte ao clube, provavelmente nada.

Historicamente, o Chelsea nunca foi uma referência no que diz respeito a produção de jogadores. A prova disso está no fato de que o último grande atleta a ser promovido ao time principal e se manter no clube foi John Terry, revelado na temporada 1998/99. Não à toa, o zagueiro tornou-se um dos maiores ídolos do clube com sua vitoriosa trajetória. Antes dele, ainda houve Jimmy Greaves, considerado o maior artilheiro da história do futebol inglês, mas que despontou como profissional em 1957.

Assim como muitos atletas da base, Terry também chegou a ser emprestado no início da carreira, mas, ao retornar, conquistou espaço entre os principais jogadores quase instantaneamente (Foto: Chelsea FC)

Desde então, nunca mais um atleta formado pela equipe de Stamford Bridge conquistou destaque em Londres. Isso porque, junto aos investimentos de Roman Abramovich nas categorias de base, veio o imediatismo ao qual o dinheiro lhe dava direito.

O hábito de sempre buscar jogadores de fora, já que era necessário tempo para que o investimento em jovens desse frutos, acabou construindo uma cultura dentro do próprio clube onde seria mais fácil trazer um atleta pronto do que preparar aquele que acaba de chegar das categorias mais jovens.

Técnicos que chegam ao clube passam a se acomodar com essa prática, e sem espaço para os novos talentos que surgem, os jogadores promovidos da base passam a fazer parte da política de empréstimo sem fim, praticada pelo Chelsea Football Club. Assim que chegam ao time principal, fazem um ou dois jogos – quando os fazem – e, em seguida, são mandados para clubes de menor expressão para ‘ganhar experiência’. A realidade, no entanto, é que estes dificilmente voltarão a vestir a camisa dos Blues.

Mesmo após 12 anos da denominada ‘Era Abramovich’, com o forte investimento na formação de talentos, o aproveitamento da base era quase nulo até a chegada de Antonio Conte. Houve sim um esforço mínimo de integrar os jovens ao elenco profissional com outros treinadores – o esforço de ceder a eles uma vaga no banco de reservas de vez em quando -, mas nenhum dos antecessores do técnico italiano deu aos atletas que, por anos tiveram no clube sua segunda casa, tantas oportunidades reais de estar em campo e construir uma carreira dentro dele.

A prova está na quantidade de jovens que hoje compõe o esquadrão azul. Atualmente, fazem parte do time principal dos Blues quatro atletas que cresceram em sua base: Ola Aina, Loftus-Cheek, Nathaniel Chalobah e Nathan Aké.

Com idades entre 20 e 22 anos, Aké e Chalobah já vivenciaram a experiência de rodar por clubes e mais clubes sem saber ao certo o que viria em seguida, e retornaram ao Chelsea apenas ao longo da atual temporada, onde receberam o voto de confiança de Conte para permanecer e lutar por seu espaço.

Em seu último empréstimo, no início da temporada, ao Bournemouth, Nathan Aké chamou a atenção de Conte, que pediu a antecipação de seu retorno no início do ano (Foto: Chelsea FC)

Já Ola Aina e Loftus-Cheek, mais novos e promovidos a menos tempo, não tiveram a mesma sorte. Mesmo permanecendo junto aos Blues, nenhum dos dois teve grandes oportunidades com os comandantes que passaram pelo clube até então, ficando por longos períodos sem jogar.

É característico de Conte, porém, não só ser extremamente observador para com os jogadores que comanda, mas também explorar o que há de melhor neles. E se o técnico optou por manter em seu grupo os jovens atletas que cresceram no clube, é impossível que os mesmos não tenham a qualidade necessária para permanecer – fato que deve ficar mais do que provado com os triunfos sem fim da base londrina nos últimos anos, se igualando as mais tradicionais como a do Manchester United.

Tendo em mãos um treinador com o perfil e disposição do italiano, somado à safra de sucesso da base que merece finalmente ser enxergada pelos torcedores, já passou da hora de o Chelsea provar aquilo que vem cultivando. Investimentos não são nada se seus resultados não forem vistos, e não vale apena mantê-los se, sempre que for necessário repor uma peça, novas e altas quantias de dinheiro tiverem de ser gastas. Esse é o momento ideal para mostrar que base dos Blues pode sim ter futuro, e que suas conquistas não são em vão.

Category: FA Youth Cup

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Article by: Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. Nunca superou o gol do Torres no Camp Nou.